Buenos Aires, 03 (AE) - Enquanto os negociadores argentinos se preparam para Montevidéu, empresários dos dois países tentam encontrar saídas para os impasses comerciais de seus setores.
O deputado federal Júlio Redecker (PPB-RS), esteve em Buenos Aires com um mandato da Abicalçados para negociar com os argentinos.
Redecker, presidente da Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, sustentou que para solucionar os protestos argentinos contra a entrada de calçados brasileiros existe uma saída: aplicar restrições contra calçados chineses no bloco comercial.
Desta forma, seria impedida a entrada anual de 4 milhões de pares chineses na Argentina, volume que poderia compensar a entrada do produto do Brasil.
"Se o bloco fizer isso, estará protegendo os interesses da região, ainda mais se levarmos em conta que há rumores que a China poderá desvalorizar sua moeda em 10%, o que traria consequências terríveis para nossas indústrias", disse.
Empresários do setor têxtil dos dois países também estão tentando chegar a um acordo. Segundo representantes da Federação de Indústrias Têxteis Argentinas (Fadit), tudo transcorrerá bem "se não houver problemas com os orgulhos nacionais".
Além disso, temem que os dois governos possam misturar a negociação pelos têxteis com outros conflitos do Mercosul.
Entre os empresários argentinos já existe a disposição de negociar cotas maiores que as atualmente estabelecidas.
Na semana que vem também está previsto um encontro entre representantes das indústrias metalúrguicas do Brasil e da Argentina.
Desde março, estão em vigor medidas temporárias antidumping contra lâminas a quente do Brasil. Além disso, está em andamento a aplicação de medidas contra as chapas a frio.

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