Empresários mudam discurso e garantem apoio a Tápias
Brasília, 14 (AE) - A julgar pela manifestação unânime de apoio dos empresários presentes à solenidade de posse, ocorrida hoje, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, inaugurou uma nova etapa no relacionamento entre o governo e o setor privado. Críticos ácidos de outros tempos, os empresários Horácio Lafer Piva, Roberto Setúbal e Sinésio Sampaio, por exemplo, mudaram, pelo menos o discurso, garantindo apoio às ações do governo conduzidas por Tápias, declarando-se "muito bem representados" pelo colega no ministério.
"São tempos novos", disse Piva, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, interpretando a presença maciça e os aplausos entusiasmados do empresariado presente em Brasília. Setúbal, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), foi na mesma direção, dizendo acreditar que as condições para o crescimento agora estão sólidas, depois das medidas de redução do compulsório e dos juros tomadas pelo Banco Central (BC).
Sampaio, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Brinquedos (Abrinq), outrora defensor do confronto entre empresários e governo, disse que o momento atual é de "juntar esforços". "Nós vamos ter de juntar-nos a ele (Tápias)", afirmou Sampaio, depois de observar que o novo ministro "abriu as portas para adoção de medidas que impulsionem o crescimento e o desenvolvimento".
Na mesma linha, o secretário-executivo do Instituto Brasileiro de Siderurgia, Marco Polo: "A expectativa é de que ele consiga aglutinar esforços, do Executivo, do Congresso e do setor privado", disse o empresariado, ressaltando o estilo conciliador do ministro.
A reforma tributária foi citada por todos os empresários como indispensável e prioritária para os projetos de melhoria do desempenho produtivo e exportador. Apesar da declaração do presidente Fernando Henrique Cardoso, enfatizando a prioridade para a reforma da Previdência, os empresários não citaram a mesma entre as preocupações, que ficaram, pela ordem, a elevada cunha fiscal e os juros.
O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), foi a voz moderada entre os entusiasmados presentes à posse. "Ele é um homem hábil, mas não se pode acreditar que tudo vai melhorar de uma hora para outra", ressalvou o senador. Para ele, Tápias é um administrador vitorioso e, "quando o governo recruta um vitorioso, evidentemente, abre os caminhos para o País".
Piva, que, em várias vezes, entrou em colisão com o governo por criticar o tratamento dispensado à empresa nacional, hoje, exibia mudança radical de postura, ao comentar as medidas adotadas pelo BC e apostando em juros entre 15% e 16% em dezembro. "O Banco Central tem sido mais ousado do que o mercado na redução dos juros", afirmou.
Setúbal disse que as medidas permitirão maior queda dos juros, uma vez que a inadimplência vem caindo e a reforma tributária promete reduzir a cunha fiscal da intermediação financeira. "Temos hoje a taxa de juros reais (em torno de 10% ao ano) mais baixa dos últimos 20 anos", comentou.





