Empresários intervêm em impasse entre MG e FH Por Ivana Moreira
Belo Horizonte, 18 (AE) - O empresariado mineiro resolveu interferir no impasse entre o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), e a Presidência da República. "Representamos um setor que coloca dinheiro no caxia do Estado e estamos totalmente interessados que as coisas caminhem para o diálogo", disse hoje o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Stefan Salej. Presidentes de oito federações aproveitaram uma reunião, no fim da tarde de hoje, para oficializar duas decisões.
A primeira é a de pedir audiência com Itamar e com o presidente Fernando Henrique Cardoso. A segunda é a de convidar o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, d. Serafim Fernandes de Araújo, e o presidente da Ordem dos Advodados do Brasil (OAB) - seção de Minas Gerais, Marcelo Leonardo, para serem os interlocutores do diálogo entre as duas partes.
"Esse impasse reduz a capacidade de produção, de lucro, de emprego, e isso nós não queremos." Os empresários mineiros têm pedidos muito específicos para levar a Itamar e Fernando Henrique. Ao governador de Minas Gerais, o pedido do empresariado é que ele participe da reunião dos governadores, marcada para o dia 26. A FHC, os industriais e comerciantes querem reivindicar a abertura de uma discussão técnica entre as equipes do Ministério da Fazenda e da Secretaria de Fazenda de Minas Gerais sobre o pagamento da dívida com a União.
Na avaliação do presidente da Fiemg, a decretação da moratória acelerou a retração da participação do Estado no cenário econômico. "Hoje, temos de trabalhar cinco vezes mais para ganhar a credibilidade dos investidores", ponderou. "Se a Mercedes tivesse de fazer sua opção hoje, Minas estaria fora do páreo", completou Salej, referindo-se à fábrica da montadora alemã, que entrará em funcionamento ainda neste semestre em Juiz de Fora (MG).
A escolha de d. Serafim para intermediar o entendimento entre os governos federal e estadual está baseada na participação do religioso na greve dos policiais militares de Minas Gerais, em junho de 1997. O trabalho de d. Serafim como interlocutor entre a Polícia Militar e o ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB) foi considerado decisivo para o fim do conflito, que desencadeou manifestações das corporações de vários outros Estado do País. "Quando o conflito é agudo, a regra é chamar o bispo", comentou Salej. Durante o lançamento da Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
em Belo Horizonte, no início da tarde de hoje, d. Serafim informou que aceitará a missão de interlocutor, se for convidado. D. Serafim não quis fazer comentários sobre as posturas de Itamar e Fernando Henrique no conflito. O arcebispo restringiu-se a dizer que respeita as duas autoridades e confia na capacidade deles de chegar ao diálogo e ao consenso.





