Empresários europeus defendem fim de barreiras, diz Furlan
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 22 (AE) - O presidente da Sadia e da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango, Luis Fernando Furlan, disse hoje que todos os empresários presentes ao painel sobre acesso ao mercado, realizado hoje à tarde no Fórum Empresarial Mercosul-União Européia, defenderam a eliminação de todo o tipo de barreira alfandegária entre os blocos comerciais.
Furlan, que foi um dos coordenadores do grupo de trabalho, afirmou que essa é uma das propostas que os empresários europeus e sulamericanos apresentarão aos governos, na reunião de cúpula do Mercosul e UE em junho, no Rio. "Vamos também propor que os governos não criem novas regulamentações que gerem dificuldades para o comércio e para os investimentos"
apontou.
Nas discussões, porém, os empresários apresentaram suas queixas na relação entre os dois blocos. Furlan disse que a UE tem dificuldades com barreiras tarifárias e não-tarifárias, em setores como o automobilístico, telecomunicações, pneus, propriedade intelectual, equipamentos hospitalares e bens de capital.
Do lado do Mercosul, as reclamações são maiores em relação ao agronegócio - Furlan citou produtos como papel e celulose, carnes, frutas e vegetais, lácteos e balas e confeitos.
Embora os debates do grupo tenham se centrado no relacionamento entre Mercosul e UE, Furlan não deixou de comentar que as queixas dos empresários argentinos contra o Brasil não têm fundamento. "A reclamação deles não é razoável, porque eles tiveram superávit comercial durante quatro anos e nós é que devíamos, então, ter reclamado todos os dias", argumentou.
Furlan lembrou que, nesse primeiro trimestre, a Argentina ainda deverá apresentar superávit na balança comercial com o Brasil. Mesmo assim, o acordo fechado pelo setor de avicultura com os argentinos, em outubro, contemplou boa parte das reivindicações do outro lado, como o estabelecimento de cotas mensais e de preços mínimos para as exportações brasileiras.
Acordo - Segundo Furlan, em 1998 houve um aumento de 43% nas exportações brasileiras de frango para a Argentina, o que causou impacto para os produtores locais. Em setembro, o governo argentino abriu investigações sobre uma suposta prática de dumping pelos brasileiros. "Nós queríamos evitar uma deterioração de preços e o acordo foi fechado voluntariamente com a presença de 80% dos produtores dos dois países", disse Furlan.
O presidente mundial da Basf, Jurgen Strube afirmou que os empresários e o governo brasileiro não devem se preocupar tanto com a questão sobretaxas européias sobre produtos brasileiros. "A UE tem um programa definido para o ano 2000 e este tipo de queixa será parte do passado", garantiu. "Atrair investimentos estrangeiros é muito mais importante do que identificar e criticar um obstáculo individual para um só setor."
O ponto de vista de Strube é reforçado pelo co-presidente do fórum, o empresário brasileiro Roberto Teixeira da Costa, vice-presidente do Banco Sul América. "Numa reunião destas, não íamos deixar de falar no protencionismo, um item tão importante para nós", afirmou. "Mas isso não pode ser uma pedra que bloqueio o diálogo em todas as áreas possíveis."


