Empresários e sindicatos unem-se contra produtos brasileiros
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 26 (AE) - O protecionismo argentino está em alta: uma inédita união de sindicalistas e empresários em defesa do "Made in Argentina" está em andamento para pedir "a defesa da indústria nacional". A União Industrial Argentina (UIA) e a Confederação Geral do Trabalho (CGT) anunciaram que na segunda semana de agosto realizarão um mega-evento no estádio coberto de Luna Park cujo slogan será "compre produtos argentinos".
Profundamente separadas no passado por questões trabalhistas, hoje a UIA e a CGT estão unidas pela queda de 12% na produção industrial e pelo desemprego de quase 15%. A intenção da união de forças é pressionar o governo para que tome medidas que protejam setores abalados pela queda nas vendas ao Brasil e também pela entrada de produtos brasileiros na Argentina, costumeiramente mais competitivos que a antiquada indústria local.
O evento conjunto empresarial-sindical começou a ter precedentes nos últimos dias: na semana passada, empresários do setor metalúrgico e o poderoso sindicato União Operária Metalúrgica (UOM) realizaram um protesto na frente da Secretaria de Indústria e Comércio, misturando macacões de trabalho com paletós e gravatas. Para o fim desta semana, está programado outro protesto conjunto, desta vez reunindo o empresariado do setor de calçados e seu sindicato.
Segundo o subsecretário de Comércio Exterior, Félix Peña, o governo argentino deverá tomar alguma medida diante do aumento das importações de calçado e papel provenientes do Brasil. O conflito do papel se deveria a que no mês passado, as vendas brasileiras de papel para a Argentina ultrapassaram a cota estabelecida em 25%. Peña disse que seu governo "não está pensando em aplicar salvaguardas agora". Segundo ele "há setores nos quais cresceram muito as importações desde o Brasil e esperávamos que fossem realizados acordos empresariais para auto-limitar o comércio, como o setor do papel e do calçado, mas que não deram certo", disse, e acrescentou, sem explicar o que poderia ser feito: "então, temos que resolver o problema".
No entanto, a Câmara da Indústria do Calçado da Argentina foi mais explícita: informou que o ministro da Economia, Roque Fernández, aplicará cotas às importações provenientes do Brasil. Para a indústria do calçado argentina, o único obstáculo que impedia uma salvaguarda para os produtos provenientes do Brasil era a não-definição da aplicação da resolução 70 da Aladi. Depois que foi resolvido aplicá-la, nada parece se interpor no caminho.
No entanto, o ex-secretário de comércio e um dos principais economistas vinculados à UIA, Raúl Ochoa, declarou à Agência Estado que "este é mais um tema de pressão sobre os brasileiros do que de aplicação.
Eles conhecem por sua vez as consequências que isso pode ter por todos os lados. Se este tema continuar poderão haver represálias do lado brasileiro que não serão boas, como no setor de lácteos, que é um setor muito competitivo na Argentina. Temos que ter cuidado. Estas medidas de retaliação matam o Mercosul".
Segundo fontes do ministério da Economia, "a qualquer momento nos próximos dias serão anunciadas salvaguardas contra têxteis brasileiros de fibras sintéticas".


