Empresários e sindicalistas prevêem queda gradativa do desemprego
Empresários e sindicalistas prevêem queda gradativa do desemprego15/Mar, 15:19 Por Márcia Furlan São Paulo, 14 (AE) - Os índices de desemprego no País devem continuar caindo gradativamente neste ano por conta da recuperação da atividade econômica, motivada sobretudo pelas exportações, que vem estimulando o setor produtivo. Na avaliação de empresários e sindicalistas, se o atual cenário internacional não sofrer alteração e a estabilidade econômica for mantida, os níveis de ocupação poderão crescer até o final do ano, confirmando a tendência sinalizada pela última pesquisa da Fiesp. Segundo o diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da entidade, Roberto Faldini, o ano 2000 vai consolidar a tendência já iniciada em 1999, após as mudanças radicais ocorridas na política cambial que fez as empresas nacionais retomarem a produção para substituir as importações e incrementarem as vendas ao mercado externo. Além disso, na sua opinião, as eleições de outubro também vão contribuir para o aquecimento econômico. "Os mais de 5.000 candidatos a prefeito do País vão fazer com que a economia volte a funcionar", previu. Ele frisou que este cenário positivo estará, entretanto, condicionado à taxa de juros dos Estados Unidos e aos preços do petróleo, além do déficit público interno. "O Brasil ainda não fez a lição de casa", advertiu. Para o secretário geral da CUT, João Felício, a queda nas taxas de juros e a melhora do mercado internacional, que absorveram as exportações brasileiras, já contribuíram para reduzir o contingente de desempregados nos últimos meses. "Se conseguirmos diminuir ainda mais as taxas de juros e se o cenário externo continuar favorável, o percentual de desempregados deve cair significativamente", afirmou. Felício defendeu ainda a elevação do salário mínimo e da massa salarial do trabalhador em geral para incrementar a atividade produtiva por meio do aumento do consumo. Para ele, é insustentável o argumento de que um salário de R$ 177,00 vai quebrar a Previdência e as prefeituras. Os indicadores do nível de emprego vem desde o começo do ano mostrando sinais de recuperação. Em fevereiro, a indústria paulista contratou 2.230 novos trabalhadores. Com as 954 contratações de janeiro, registrou o melhor primeiro bimestre desde 1995. "A indústria foi o único setor que gerou emprego, contrariando o que acontece normalmente nos primeiros meses do ano", comentou Sinésio Pires Ferreira, gerente de Análise e Estudos Especiais da Fundação Seade. "O importante é que ela tem a capacidade de dinamizar o mercado de trabalho", completou. O nível de ocupação na Grande São Paulo aumentou 3% entre janeiro de 1999 e janeiro deste ano, o que representou 2000 novas vagas, a maioria criada no último trimestre do ano passado, de acordo com pesquisa do Seade-Dieese. O setor de serviços continou sendo o grande gerador de emprego, a indústria deixou de reduzir postos de trabalho e o comércio foi o que mais dispensou empregados em função das fusões e incorporações, do fechamento de estabelecimentos e da automatização de sistemas, principalmente nas redes varejistas. Para Sinésio, a estabilidade econômica e o controle dos juros permitem perspectivas positivas para este ano, mas o impacto sobre os índices de desemprego deve ser tímido. Isto porque, com os sinais de melhora, muitas pessoas que tinham deixado de procurar emprego voltam a fazer parte da população economicamente ativa e engrossam o contingente de desempregados apurado pelas pesquisas.





