Empresários dos EUA tentam ampliar vendas de algodão para o Brasil
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Renato Stancato 
São Paulo, 16 (AE) - Representantes do Conselho Nacional do Algodão dos EUA, conhecido como Cotton USA, estão visitando o Brasil a fim de divulgar a fibra americana à indústria têxtil local. A delegação esteve em São Paulo hoje, onde conversou com empresários brasileiros no Maksoud Plaza. Amanhã, a Cotton USA visitará Fortaleza, um dos novos pólos têxteis brasileiros. A Cotton USA, formada por representantes dos diversos setores da cadeia algodoeira dos EUA, é uma entidade formada para promover o consumo e a valorização do algodão nos mercados internos e externos.
Gloria Garcia, diretora da Cotton USA para a América Latina, afirmou que a expectativa da entidade é retomar as exportações americanas ao Brasil. Gloria afirmou que no atual ano-safra (98/99), as vendas ficaram em 5 mil fardos (de 227 kg)
por causa da quebra da safra americana e os problemas de câmbio no Brasil. "Nossa expectativa é voltar aos patamares de 200 mil fardos, que era nossa média desde que começamos a vender ao Brasil, em 1992. Isso representaria 10% das importações brasileiras." É por isso que os americanos vieram ao Brasil: "A nova safra de algodão já começa em setembro, e temos a expectativa de que a produção volte à normalidade."
Em reunião com a indústria têxtil, a Cotton USA expôs o que considera as vantagens do algodão americano: "Além de nossa qualidade, oferecemos o selo de qualidade que agrega valor aos produtos têxteis", afirmou Gloria Garcia. De acordo com a analista, o selo de qualidade já é usado por 540 indústrias fora dos EUA, sendo 60 na América Latina - e apenas uma no Brasil.
Garcia ouviu dos empresários brasileiros que o principal obstáculo para a ampliação das compras do País é o preço brasileiro: "Eles falaram bastante da necessidade de os EUA reativarem o Step 2", comentou. O Step 2 é um programa do USDA por meio do qual o exportador americano recebe a diferença entre o preço do mercado dos EUA, geralmente maior, e o preço CIF Roterdã, a fim de fomentar as vendas externas. Os recursos do programa, US$ 700 milhões no orçamento dos EUA, deveriam durar de 97 a 2003. No entanto, se esgotaram em dezembro do ano passado.
"O que os produtores estão fazendo é pedir mais recursos para o programa ao Congresso americano", disse Kent Lanclos, economista agrícola da Cotton USA. "Como a alternativa de retirar recursos de outros programas agrícolas é inviável, nossa expectativa é de convencer os deputados a incluir a verba no item "off-budget" (despesas consideradas extraordinárias). Para Lanclos, dificilmente os recursos sairão antes de 1º de outubro, quando começa o novo ano fiscal norte-americano. "Mas o programa é importante, já que pode ampliar em cada safra a exportação dos EUA de 700 mil fardos a 1 milhão de fardos", diz Lanclos. Para ele, as exportações americanas podem bater 5 milhões de fardos caso saiam os recursos.
Para Kent Lanclos, mesmo se o governo americano não ceder novos recursos para o Step 2, o Brasil deverá importar maior volume de algodão americano. "Nosso algodão vai estar competitivo, apenas 300 pontos acima do valor de outras origens, e quem precisar de qualidade, irá comprá-lo." Lanclos observou que o preço atual da posição dezembro da NYCE, a mais importante na formação de preços das exportações do segundo semestre do ano
está em 57 cents/libra, valor que poderá cair mais com a entrada da safra.
O panorama de oferta e demanda mundial, na opinião do analista, não deve ter melhoras significativas, no entanto. "A recuperação asiática ainda está muito reticente, e estamos em níveis de demanda 1,6 milhão de fardos inferior a que se tinha em 96/97", observa. Trabalhando com as projeções do USDA, Lanclos estima a oferta em 125,2 milhões de fardos, e consumo entre 87 e 88 milhões de fardos. Os gigantescos finais são da China, que sozinha mantém guardados 15 milhões de fardos de algodão.
Se o Step 2 não for adotado, o USDA acenou com outro mecanismo facilitador das importações dos EUA ao Brasil. Trata-se do programa de aval ao exportador GSM-102, cujos os fundos para o Brasil poderão ser ampliados de US$ 105 milhões para US$ 250 milhões. Esses recursos são oferecidos aos bancos americanos que financiam exportadores como garantia no caso de o banco tomador da importação vir a não saldar o débito. O programa tem prazos elásticos de até 3 anos para amortização dos débitos, e avaliza 98% dos encargos pedidos pelo banco que financia o exportador.
De acordo com Marcus Lower, adido do USDA no Brasil, a vantagem para o importador reside na maior facilidade para concretização de operações. Não bastando, o aval reduz a taxa de risco pedida pelos bancos americanos, o que significa menor custo financeiro para indústria compradora.


