Empresários do Rio esperam redução de juro, revela pesquisa
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segunda-feira, 20 de setembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 21 (AE) - A recuperação da economia brasileira e a melhora no cenário externo já permitem que o governo brasileiro reduza os juros para um patamar abaixo dos 17% ao ano até o final de 1999. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada com 130 empresários ligados ao Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF-Rio). O estudo revelou que 70% dos entrevistados apostam em um corte de 2,5 pontos percentuais na atual taxa de juros básica, atualmente em 19,5% ao ano.
"Os cortes devem ser suaves ao longo dos próximos meses
com o Banco Central mantendo uma postura conservadora em relação a política monetária". avaliou o presidente do IBEF- Rio, Ney Ottoni de Brito. Ele acredita que o BC deve baixar em 0 25 ou 0,5 ponto percentual a taxa na reunião de amanhã do Comitê de Política Monetária (Copom). O governo decidiu interromper a trajetória de queda dos juros na última reunião do comitê, época em que o dólar estava oscilando acima dos R$ 1,90. Hoje, a moeda americana está negociada abaixo desse patamar.
Mas os executivos não apostam em uma valorização significativa da taxa de cãmbio nos próximos meses. A expectativa de que o dólar pudesse recuar para os R$ 1,70 foi descartada pelos entrevistados, com quase 50% dos executivos esperando uma taxa de câmbio entre R$ 1,80 e R$ 1,90 para o final do ano. "O cenário não comporta uma recuperação muito grande da moeda brasileira no curto prazo", afirmou.
A pesquisa destacou ainda que 57% do mercado espera um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 0% e 2%, enquanto o restante projeta queda de até 2% para a economia brasileira. Mas a grande preocupação dos executivos é a elevada carga tributária, que impede uma expansão das exportações e da atividade produtiva. Não se espera uma reversão deste quadro nos próximos meses, com os entrevistados considerando desarticulada as ações do governo para conseguir aprovar as reformas constitucionais no Congresso.
Pelo estudo, 46% classificaram como ruim ou péssima a atuação do presidente Fernando Henrique Cardoso no primeiro semestre. A avaliação do Congresso é ainda pior, com 63% dos executivos criticando o trabalho dos parlamentares brasileiros no período.


