Empresários dizem que risco de investir em Cuba é pequeno
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sexta-feira, 29 de outubro de 1999
Por Gustavo Alves 
Havana, 30 (AE) - A missão de empresários fluminenses em Cuba serviu para mostrar que o risco de investir no país é bem menor do que se pensa, afirmou Armando Mariante, diretor da Finame, agência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) responsável pelo financiamento de venda de máquinas e equipamentos. "Constatamos que ele estão em um processo político no qual não há mais possibilidade de retrocesso", avaliou Mariante ao fim da viagem de um grupo de empresários promovida pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que esteve na ilha entre os dias 24 e 27 de outubro.
Para o diretor da Finame, o processo gradual de abertura da economia cubana não depende mais da permanência de Fidel Castro na chefia do governo do país caribenho. A análise foi a mesma de outros empresários que integraram a missão e ficaram bem impressionados com as regras claras e a receptividade para investimentos externos.
"O país está em ritmo de desenvolvimento frenético", afirmou Mariante. "Em dois anos, tudo estará completamente diferente", apostou. O BNDES já financiou este ano uma operação de exportação de 342 ônibus para Cuba, no valor de cerca de US$ 13 milhões, e recebeu outro pedido, de US$ 50 milhões, para recuperação de parte do setor açucareiro da ilha.
A possibilidade de sanções do governo norte-americano pela lei Helms-Burton é um ponto que deve provocar a demora na análise e aprovação desta nova operação, afirmou Mariante. "Vamos ter de estudar uma maneira de passar por esta lei", afirmou.
A lei Helms-Burton permite ao governo dos EUA aplicar sanções contra quaisquer empresas de qualquer país que faça negócios com companhias cubanas originadas da nacionalização de antigos investimentos dos Estados Unidos. A percepção de alto risco da economia cubana, que ainda persiste, também aumenta a complexidade de negócios com Cuba pela necessidade de se buscar garantias internacionais. Mariante lembrou que, para a operação de exportação dos ônibus, foi preciso a participação do Ing Barings, para aumentar a garantia do negócio.
Vacinas - A dificuldade de Cuba em vender vacinas para o Brasil, nos últimos anos, pode representar um empecilho para as relações comerciais com o Brasil, afirmou a vice-ministra do Comércio Exterior, Nelly Cubilla, em reunião no dia 25 com o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. Nelly lembrou que, de 1997 para 1998, os gastos com compra de vacinas cubanas pelo Brasil caíram de US$ 12 milhões para US$ 250 mil. No jantar da missão empresarial com Fidel Castro, o embaixador do Brasil em Cuba, Luciano Martins, explicou que a redução foi causada por diferenças de características técnicas da vacina para meningite B cubana, em relação às especificações exigidas no Brasil.
Proex - Apesar disso, o governo cubano pediu a expansão do volume de financiamento de compras de alimentos brasileiros do Programa de Apoio às Exportações (Proex) do Banco do Brasil (BB). Os cubanos requisitaram o aumento do volume, de US$ 15 milhões, em mais US$ 20 milhões.


