São Paulo, 28 (AE) - O Rio de Janeiro passa a ser responsável por 40% das encomendas ao setor de infra-estrutura e indústrias de base em 2000, empatando em importância com São Paulo. Até agora, a participação era de 30%, mas o Rio ganhou força com a entrada das concessionárias do setor de petróleo. De olho nessas compras, a Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base ofereceu hoje um almoço ao governador do Rio, Anthony Garotinho.
A indústria de petróleo e gás deverá fazer encomendas de US$ 2,7 bilhões no ano que vem, já que a Petrobras e suas parceiras, além das concessionárias na exploração de novos campos de petróleo, prometem investir US$ 4 bilhões. Em 2001, os investimentos devem chegar a US$ 5 bilhões, alcançando US$ 6 bilhões nos anos seguintes, o que poderá significar encomendas de US$ 3,6 bilhões para a indústria nacional do setor de infra-estrutura e de base.
"O governador tem tomado ações objetivas para o desenvolvimento industrial do Rio", disse o presidente da Abdib
José Augusto Marques, citando os setores de petróleo, gás e indústria naval, além do caso específico do pólo industrial químico e de gás. "Não é um projeto de desenvolvimento regional", emendou. Outras entidadades, inclusive a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), participaram do encontro com Garotinho.
"Agora só falta um almoço na Fiesp", brincou o governador, ao agradecer o encontro de hoje, dirigindo-se ao presidente da entidade, Horácio Lafer Piva. Candidato potencial à presidência da República em 2002, Anthony Garotinho está ampliando seus contatos junto ao empresariado paulista.
O governador lembrou que as empresas beneficiadas pelo decreto que deu isenção fiscal ao pólo químico e de gás são majoritariamente de São Paulo. "O desenvolvimento do Rio tem um componente importante para São Paulo, já que muitas compras são feitas aqui. É o projeto ganha-ganha", ponderou Piva. "É uma alavanca para o desenvolvimento do setor de bens e serviços", ponderou Marques, da Abdib.
A Abdib espera um crescimento de quase 19% no faturamento do setor próximo ano, que chegaria a US$ 24 ou US$ 25 bilhões. "Isso ocorrerá desde que não sejam impostas barreiras para a entrada do capital externo no País", disse Marques, citando especificamente as restrições que o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, tenta impor aos acionistas norte-americanos da Cemig. "O Brasil ainda significa risco para os investimentos internacionais. Atitudes como essa complicam a situação." Neste ano, o faturamento do setor deve repetir o desempenho de 1998, ficando em torno de US$ 21 bilhões. A diferença é a participação do capital privado nas encomendas. No ano passado, essa participação foi de 48%. Neste ano, será de 60%. "O faturamento ficou acima das expectativas", afirmou Marques que esperava uma queda em função da recessão da economia
deflagrada com a desvalorização do real no início deste ano.

mockup