Empresários de MG querem protecionismo contra SP
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segunda-feira, 02 de agosto de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 03 (AE) - Empresários mineiros querem que o feitiço vire contra o feiticeiro: que o governo de Minas Gerais adote a mesma política protecionista adotada pelo governo de São Paulo. "Na pior das hipóteses, é o que Minas deve fazer", disse hoje o presidente da Associação de Indústrias do Vestuário do Sul de Minas Gerais, Ary Novaes. É essa a sugestão que o grupo encaminhou ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), que estará reunido amanhã (04) com líderes empresariais para discutir o assunto.
De acordo com medidas adotadas pelo governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), micros e pequenas empresas perderão os incentivos fiscais caso adquiram mais de 20% das mercadorias fora dos limites do Estado. Mal a medida foi anunciada, os empresários mineiros - principais prejudicados - protestaram. "Isso é uma aberração", condenou Novaes. Ele e outros empresários do Sul de Minas Gerais estiveram reunidos por mais de duas horas, no fim da tarde de hoje, elaborando uma pauta de reivindicações. O documento será entregue amanhã a Itamar pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Stefan Salej.
Novaes está confiante de que o governador mineiro comprará a briga do empresariado. "O Itamar gosta de uma encrenca", diz. "O que não falta em Minas é how de inconfidência." Só nos circuitos das malhas, que incluem Jacutinga e Monte Sião, perto da divisa com São Paulo, estima-se queda de 30% nas vendas. "Quem inventou essas medidas do Covas não sabe o tamanho do absurdo que está fazendo", argumentou o representante das industrias de vestuário. Ele lembrou que parte da produção leiteira de Minas Gerais é vendida para os laticínios paulistas. "Eles querem que as vacas sejam levadas para São Paulo?", questionou.


