A procuradora da República em Marabá, no sul do Pará, Neide Oliveira, denunciou ontem à Justiça Federal 18 caçadores da região, alguns deles empresários, por ‘‘crueldade contra animais e formação de quadrilha’’. Eles já haviam sido denunciados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) à Polícia Federal em agosto de 96, mas o inquérito levou dois quase dois anos para ser concluído. Nenhum dos caçadores foi preso.
O delegado Adolfo Machado explicou que a demora ocorreu porque a Polícia Federal de Marabá não dispõe de peritos para avaliar as 155 fitas de vídeo e 70 fotografias das caçadas de animais apreendidas pela fiscalização do Ibama. A perícia acabou sendo feita pelo Ibama de Brasília. O resultado revelou que cerca de cem animais, entre onças, jacarés, veados, araras, papagaios, antas e gaviões, foram mortos pelo mesmo grupo de caçadores. Eles eram liderados pelo empresário Vilmar Gotardo, residente em Marabá.
Gotardo, organizador das caçadas, disse na polícia que não sabia da proibição. Segundo o empresário, ele e seus amigos caçavam ‘‘não por dinheiro, mas por diversão’’. Numa das fitas, os caçadores aparecem sorridentes e brincam sobre a maneira como os animais foram mortos. ‘‘Olha a cara cínica dessa onça’’, ou ‘‘é assim que veado morre’’, são algumas das declarações. Após assistirem às fitas, os fiscais do Ibama disseram a polícia que os animais foram ‘‘torturados após levar tiros’’.
Neide Oliveira disse que o processo deverá correr com maior rapidez na Justiça. ‘‘As provas da crueldade são fartas’’, afirmou a procuradora.

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