Campinas, SP, 24 (AE) - Cerca de 90 empresários brasileiros e 50 uruguaios participaram hoje, em Campinas, de uma rodada de negócios para aumentar o comércio entre os dois países. O encontro, promovido pela secretaria municipal de Cooperação Internacional de Campinas, Consulado Geral do Uruguai e Associação Paulista de Supermercados (Apas), também serviu para discutir as bases do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul). A expectativa dos participantes é de que o volume de negócios entre os dois lados aumente de forma significativa nos próximos anos.
"Temos potencial para isso", afirmou o superintendente da Apas, Gelsomino Di Francesco. Segundo ele, o volume de negócios entre Brasil e Uruguai pode passar dos atuais US$ 100 milhões para cerca de US$ 400 milhões por ano. "Para que isso aconteça, é necessário apenas que os dois países se unam e estreitem ainda mais suas relações comerciais", disse.
A comitiva estrangeira, liderada pelo ministro da Economia e Finanças do Uruguai, Luis Mosca, apresentou aos empresários brasileiros uma lista de aproximadamente 40 ítens para exportação. Os principais estão relacionados aos gêneros alimentícios, com destaque para a carne bovina, arroz, frutas frescas, e laticínios. Mas há também produtos industrializados, como vinhos, cervejas, algodão e fraldas.
Entre os produtos oferecidos pelos empresários brasileiros, destacam-se o papel e papelão. Segundo Di Francesco
porém, o Uruguai estaria interessado, principalmente, em ítens da indústria agroquímica, equipamentos para informática e calçados. "Tenho certeza que essa primeira rodada de negócios servirá para ampliar as relações comerciais entre os dois países", disse.
Para o presidente da Apas, o Brasil precisa empenhar-se mais para desfrutar das vantagens que o estreitamento dos negócios entre os dois países pode oferecer. "Por que importar arroz da china ou do Paquistão, se podemos comprar o produto no Uruguai?", questiona.
Segundo ele, o governo Uruguaio responderia com reciprocidade a uma mudança de postura do País, incentivando a importação de gêneros brasileiros. "É assim que os países da Comunidade Européia estão fazendo", observa.
Apesar de acreditar no fortalecimento das relações comerciais entre Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, o ministro da Economia e Finanças do Uruguai disse que o Mercosul necessita de alguns ajustes.
"É imprescindível definir regras que permitam uma convivência comercial mais tranquila entre os países", afirmou. Segundo ele, serão necessárias articulações políticas para definir instrumentos capazes de fazer frente às "mudanças bruscas" no câmbio, que acabam afetando os preços. "Vemos com muita satisfação a recuperação da economia brasileira, porque isso é muito importante para o Mercosul", disse o ministro.
Segundo ele, o Brasil é o principal parceiro do Uruguai na América Latina. Mosca não escondeu, porém, sua preocupação com as oscilações no câmbio. "Não é possível estabelecer relações apoiadas em pilares que podem se mover a qualquer momento", destacou.
O ministro da Economia e Finanças do Uruguai defendeu o estebalecimento de medidas que permitam maior entrosamento entre os países do Mercosul. "Precisamos trabalhar intensamente para isso", disse. Ele também garantiu que seu país não pretende impor restrições aos produtos brasileiros, a exemplo do que ocorreu recentemente na Argentina, onde surgiu uma campanha contra a importação de calçados fabricados no Brasil. "Não temos nenhuma política de restrição", garantiu.

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