Empresários armam estratégia contra acordo que muda Lei Kandir
Empresários armam estratégia contra acordo que muda Lei Kandir17/Mar, 14:46 Por Rita Tavares São Paulo, 17 (AE) - Líderes empresariais que estiveram em Brasília nesta semana para articular a derrubada de parte do acordo que modifica a Lei Kandir definiram qual será a estratégia a ser usada para sensibilizar o Congresso e a opinião pública. Eles alegarão que estão convencidos de que a reforma tributária não será aprovada em 2000 e, assim, o fim da desoneração integral do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de energia elétrica, telecomunicações e compras de bens de capital seria uma penalização adicional para o setor produtivo. "Não estão nos dando a reforma tributária mais uma vez e, assim, não podem nos prejudicar", afirma o vice-presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), Carlos Pastoriza, depois de dois dias de conversas em Brasília. Além das dificuldades de tramitação da reforma tributária, os empresários constataram que o Congresso deve trabalhar em ritmo lento no primeiro semestre em função de vários feriados. A partir de junho, as eleições municipais mobilizarão os parlamentares. Dos 503 deputados, 250 seriam candidatos, pelas contas apresentadas a uma entidade empresarial. Na segunda-feira (20), o deputado Antônio Kandir (PSDB-SP) terá uma minuta do texto acertado entre o governo federal e os Estados que deverá ser encaminhado ao Legislativo, e, assim, participará de uma reunião com empresários. "Ele tem a nossa cabeça", disse um empresário da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib). O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares, que foi diretor do Departamento de Economia da Abdib em 1993, embora não participe dessa negociação, também é tido como aliado. "Uma coisa é certa: nós não vamos pagar essa conta", afirma um dos diretores da Abdib que esteve em Brasília. Segundo esses empresários, o fim da desoneração foi a forma encontrada pelo Ministério da Fazenda (e o secretário-executivo Amaury Bier estaria à frente da negociação) para a criação de um fundo que vai ressarcir, com um valor fixo, os Estados pela desoneração das exportações, o que aumentará a despesa do governo federal. Até agora, os empresários não têm uma contra-proposta a apresentar e só contabilizam as perdas que teriam se o Congresso aprovar o acordo. Na compra de equipamentos, o custo médio saltaria de 8% a 10%, com uma taxa de juros de 18% ao ano, em obras de infra-estrutura. "Prefiro acreditar que isso seja um bode colocado para discussão e que será tirado na hora certa", pondera um empresário. Se não for, ele conta com a força da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para mobilizar o Congresso e derrubar o "bode".





