Brasília, 23 (AE) - Um grupo de empresários argentinos pediu hoje ao presidente Fernando Henrique Cardoso a aceleração da integração no Mercado Comum do Sul (Mercosul) e que esse processo não se restrinja aos aspectos comercial e econômico, mas abranja as dimensões política e cultural. O tema foi discutido durante almoço hoje, em Brasília, durante encontro solicitado por oito empresas da Argentina que representam cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) daquele país.
Segundo o consultor Murillo de Aragão, presidente da Arko Advice, que presta serviços a algumas companhias representadas na reunião, os empresários argentinos manifestaram ao presidente brasileiro "uma certa preocupação com a paralisação do Mercosul em decorrência das eleições na Argentina
no final deste ano, no Uruguai e Chile em 2000". "O empresariado pediu uma agenda mais definida para os próximos passos do Mercosul e Fernando Henrique reconheceu essa necessidade", afirmou o consultor.
O porta-voz da Presidência, Georges Lamazire, disse depois do encontro que Fernando Henrique Cardoso e os empresários argentinos concordaram com a necessidade de fortalecimento e consolidação do Mercosul. "As duas partes deixaram claro que é preciso dar passos cada vez mais vigorosos nessa direção". Lamazire disse ainda que temas relacionados às relações comerciais bilateriais também foram tratados, mas nenhuma medida concreta foi abordada. "Foi uma conversa de contatos", acrescentou.
"Os empresários argentinos quiseram ter uma conversa olho no olho com o presidente do Brasil para solicitar uma agenda mais justa do Mercosul e entender melhor a situação econômica do País". Ainda de acordo com Aragão, em janeiro, no auge da crise russa, o empresariado argentino pensava que o governo brasileiro ia dar o calote na dívida interna e adotar o sistema de conversibilidade da moeda, mas nada disso aconteceu e as mudanças se restringiram à desvalorização do real. A maior parte desses empresários são potenciais investidores.
"Eles não querem somente exportar para o Brasil, mas sim aumentar seus investimentos aqui e para isso defendem uma maior institucionalização do Mercosul", afirmou Murillo de Aragão. Segundo ele, o presidente reconheceu que depois do teste vivido pelo Mercosul em decorrência da desvalorização do real - e suas consequências para a Argentina, Uruguai e Paraguai - e a crise da democracia no Paraguai, é preciso dar um salto rumo a uma integração mais abrangente, não apenas comercial.
O encontro entre o presidente Fernando Henrique e o empresariado argentino aconteceu a poucos dias da reunião de cúpula do Mercosul e outros países da América Latina com os chefes de Estado da União Européia. Neste final de semana, no Rio de Janeiro, eles vão iniciar as negociações visando a criação de uma área de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia. Segundo relato do consultor, esse tema, bem como o projeto de criação de uma moeda única para o Mercosul, não foram tratados durante o almoço de hoje.
Ainda de acordo com relato de Murillo de Aragão, o vice-presidente do Grupo Clarín, Héctor Magnetto, lamentou o fato de o Brasil continuar fechado para os investimentos estrangeiros na mídia. Na Argentina, não há restrições para o capital estrangeiro na mídia impressa e no Brasil a abertura está sendo discutida em uma lei que tramita no Congresso Nacional. As demais empresas que estiveram representadas no encontro foram: Banco Galícia - terceiro maior banco privado do País -, Organização Techint, Grupo Socma, Grupo Exxel e Grupo Roggio. Juntos, eles têm cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina e possuem investimentos no Brasil.

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