Empresários argentinos acusam Menem de ter cedido ao Brasil
Buenos Aires, 02 (AE-DOW JONES) - A União Industrial Argentina (UIA), principal entidade empresarial do país, vai enviar uma carta ao presidente Carlos Menem na qual acusa o governo argentino de ter "negociado mal" e cedido às pressões do Brasil, segundo o jornal Clarín, de Buenos Aires. A UIA critica a suspensão das barreiras às importações de produtos brasileiros decidida depois do encontro, na quinta passada, em Brasília, entre os presidentes Menem e Fernando Henrique Cardoso.
Os empresários também vão encaminhar ao governo seus próprios dados para mostrar que a economia argentina entrou em depressão e que a recuperação não está próxima. Segundo o Clarín, os empresários querem munir o governo com argumentos sobre os prejuízos comerciais provocados pela importações de produtos brasileiros em setores sensíveis como têxtil, calçado, aves e papel e celulose.
A ala mais dura da entidade afirma que o governo argentino mostrou fraqueza diante do Brasil e "comprometeu sua força negociadora para obter resultados nas futuras negociações do Mercosul". O presidente de UIA, Osvaldo Rial, orientou os filiados à organização a não participarem de um encontro de urgência marcado para esta manhã pelo secretário de Relações Internacionais, Jorge Campbell, um dos negociadores mais criticados pelos empresários.
De acordo com o Clarín, o governo argentino teme um novo conflito com o setor produtivo, semelhante ao que acontece com o setor agrícola. Durante o fim de semana, funcionários da Chancelaria e da Secretaria da Indústria fizeram uma série de telefonemas aos representantes da indústria para tentar marcar um encontro entre os dois lados. Segundo o Clarín, os líderes industriais aceitaram em princípio uma reunião, que poderá acontecer amanhã, com funcionários do governo. Os empresários, que na sexta-feira ameaçaram romper o diálogo com o governo, vão pedir participação direta nas questões que envolvem o Mercosul, afirma o jornal.





