Na última sexta-feira, o empresário Claudemir Basques Fernandes, proprietário da Papelaria Multimania, no centro de Londrina, enviou para São Paulo as últimas caixas de livros de bolso que mantinha, em consignação. O estabelecimento ocupa, há três anos, imóvel que abrigou por muito tempo uma das mais tradicionais livrarias da cidade, a Arles. Desde o início dos anos 2000 Fernandes trabalhava com venda de livros usados, mas este ano resolveu se desfazer do acervo e investir na diversificação do negócio. Hoje a loja vende quase tudo, menos livros. "Estou tentando encontrar o equilíbrio fora da época de venda de material escolar", justifica o empresário.
A necessidade de oferecer um mix maior de produtos é, na opinião do presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL), Ednilson Xavier, uma das saídas para a manutenção das empresas do setor. "Com isso, porém, os livros perdem cada vez mais espaço", constata, acrescentando que bom atendimento e especialização do ramo de atuação são outros caminhos, principalmente para as pequenas.
Para Xavier, a principal causa da onda de fechamento de livrarias no País não é a concorrência com a venda pela internet por parte das próprias redes, mas a concorrência desleal dos distribuidores e a banalização dos preços por grandes sites, que incluem o livro como "isca" para atrair consumidores. "São empresas que não têm compromisso nenhum com o mercado livreiro e acabam prejudicando-o. Tratam o livro como uma mercadoria como outra qualquer. É diferente das promoções pontuais feitas por grandes redes de livrarias", defende o presidente da ANL.
Ele argumenta que, em um país onde a população lê tão pouco, o tratamento dado às livrarias deveria ser outro, não só como espaço comercial, mas como espaço que ocupa papel fundamental na vida da população. "É o que acontece em outros países", constata. "As livrarias precisam ser olhadas com mais carinho, porque daqui a pouco não teremos mais as lojas pequenas e médias, com acervo de qualidade, como os livros clássicos. Só teremos à disposição os best-sellers, capazes de dar retorno imediato. Esta é hoje uma grande preocupação da ANL ", afirma Xavier. (S.L.)

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