Rio, 26 (AE) - O projeto de pulverizar a venda de ações nas privatizações - um novo modelo anunciado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que já "entrou na agenda do governo", segundo o ministro da Fazenda, Pedro Malan - ganhou respaldo do mercado, apesar de algumas ressalvas. Na Klabin Papel Celulose, grande cliente das empresas de energia que ainda serão licitadas, o sócio Paulo Galvão, por exemplo, incentiva a pulverização.
"Essa maior distribuição gera mercado, porque onde há mais detentores de papéis há mais compradores e vendedores", explicou. Ele afirma que o modelo é bom e vantajoso mesmo que haja algum desconto na venda pulverizada, ou seja, um preço menor por ação. Galvão participou hoje do "Seminário sobre a Lei das Sociedades por Ações e a proteção dos acionistas minoritários", na sede do BNDES.
O advogado Paulo Aragão, sócio da Barbosa, Mussnich & Aragão, alerta que pode haver venda pulverizada, mas nunca se pode abrir mão de um acionista controlador. "Alguém para cuidar da horta", afirmou. O presidente da Telemar, Manoel Horácio da Silva, concorda. "Sempre tem de ter um bloco de controle, porque o grupo de minoritários nunca chegaria a um acordo", justificou o executivo. Para ele, é saudável deixar apenas um bloco das ações para pulverizar.
O presidente da Duratex, Paulo Setubal - da família dona do Grupo Itaú - também defende a pulverização e afirma que, inclusive, as empresas de capital aberto devem ter mais acionistas. "O mercado sofre de falta de liquidez, os juros altos penalizam as empresas e inibem os investimentos em renda variável", reclamou.

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