Durante as 170 horas e 55 minutos do sequestro de Patrícia Abravanel, a família recebeu duas mensagens comprovando que ela passava bem e não tinha sido ferida. O empresário Silvio Santos tentou assumir o controle da situação quando soube do sequestro. Mas a tensão o venceu. No início da semana, passava a maior parte do tempo sedado e deitado. A pressão alta deixou os médicos em alerta: eles temiam até mesmo um derrame. Coube ao sobrinho Guilherme Stoliar assumir a negociação.

A primeira prova de que Patrícia passava bem foi uma fita cassete enviada pelos sequestradores na sexta-feira. Na gravação, a estudante lia as manchetes dos jornais do dia anterior. No domingo, os Abravanel receberam uma carta, escrita por Patrícia, dizendo que estava sendo bem tratada. A maioria dos contatos feitos pelos sequestradores foi por meio de um celular pré-pago deixado na casa no dia do crime.

Uma das primeiras iniciativas de Silvio Santos ao saber do sequestro foi manter a imprensa longe do caso. Silvio Santos mandou entregar aos jornalistas reunidos na porta de sua casa uma nota manuscrita. ''Meus colegas, gostaria que vocês me ajudassem neste momento. Prometi aos responsáveis pelo acontecimento que não envolveria a polícia e a imprensa. A vida de minha filha Patrícia depende da minha palavra empenhada e da colaboração de vocês. Quando tudo terminar, prometo que tudo será revelado pela própria Patrícia (se Deus permitir). Por favor, deixem que nós tenhamos um pouco de paz para esperarmos com paciência os próximos dias de angústia e aflição. Que Deus ouça nossas preces e que tudo termine bem.''

Os Abravanel sempre andaram sem seguranças. ''Silvio acreditava que, por ser muito conhecido em São Paulo, jamais fariam mal a ele ou a um dos parentes'', disse um funcionário da diretoria do SBT que pediu anonimato.

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