Empresário suíço volta a SP para procurar garota que conheceu em 94
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Cláudia Fontoura 
São Paulo, 06 (AE) - Depois de publicar anúncios de página inteira em jornais e revistas de circulação nacional, o misterioso empresário da Suíça fez hoje a última investida para encontrar a namorada brasileira, uma moça chamada Paula, que conheceu em 1994, em São Paulo, e por quem se apaixonou à primeira vista. Hoje, o jovem, que preferiu se identificar apenas como Frank, para proteger o sobrenome da família, passou o dia dando entrevistas para jornais, emissoras de rádio e TV. A esperança é que, com uma divulgação maior do caso, seu alvo - Paula - seja finalmente atingido. Ele contou com detalhes sua história de amor, marcada pelo desencontro.
Com 28 anos, Frank é um bem-sucedido empresário do mercado suíço de ações. "Compro barato e vendo caro", resume. Nascido na Alemanha, mora e trabalha em Zurique. Vive viajando pelo mundo, em busca de bons investimentos. Numa dessas viagens, conheceu Paula, cabelos castanhos, pele morena e olhos escuros. Ele estava num almoço de negócios, no Terraço Itália, no centro. "Ela se aproximou para divulgar uma marca de uísque", lembra. "Fez umas perguntas e disse que, se acertássemos, teríamos direito a uma dose do uísque".
Frank respondeu às perguntas e pediu a ela que respondesse a algumas dele. "Ela concordou e eu a convidei para fazer algo após o almoço", conta. Paula recusou o convite, mas com a ajuda do amigo de Frank, acabou aceitando. "Não foi fácil fazer tudo isso durante uma reunião de negócios". Ibirapuera - Por sugestão dela, os dois foram ao Parque do Ibirapuera, na zona sul. "Queria levá-la a um lugar que havia conhecido no dia anterior e tinha uma bela vista da cidade", diz. "Mas ela achou longe e sugeriu o parque". Frank confessa ter vivido, naquela tarde, uma das melhores experiências de sua vida. Os dois falaram muito - ela, em inglês não muito fluente -
contaram suas histórias, riram. "Ela era bastante engraçada e, ao mesmo tempo, um pouco tímida", conta. "Tinha uma coisa única, que não encontrei mais em nenhuma outra mulher". Beijo - Após o passeio, por volta das 19 horas, os dois foram ao hotel em que Frank estava hospedado. No quarto, conversaram mais ainda. "Pedi um beijo, mas ela disse que não daria, pois mal me conhecia". Ele nem pensou numa investida mais agressiva, para conquistá-la. "Como achávamos que voltaríamos a nos ver, não havia motivo para isso".
Num determinado momento, Paula ligou para casa. "Acho que a mãe, ao saber que ela estava num quarto de hotel com um estranho, a mandou voltar para casa imediatamente", supôs. Por volta de 22 horas, Paula deixou o hotel. Extravio - Frank anotou o telefone da moça num papelzinho. Viajou para o Rio na manhã seguinte e, quando voltou ao hotel em São Paulo, à noite, teve uma grande decepção. O papelzinho havia sumido. "Deixei em cima da mesa de cabeceira, mas acho que a arrumadeira pensou que fosse lixo e jogou fora", diz. Estava armado o desencontro.
Antes de ir para a Suíça, Frank tentou recuperar o telefone de Paula. "Pedi ao amigo que estava comigo no almoço, que mora há tempos no Brasil, para tentar descobrir alguma coisa no restaurante, mas ele não conseguiu nada". Frank voltou para casa e levou Paula na cabeça. "Tive muito mais nessas poucas horas com Paula do que em muito mais tempo com outras pessoas que conheci", revela.
Nos últimos anos, Frank teve namoradas. Mas disse não ter encontrado ninguém parecido com a moça brasileira. "Nunca deixei de pensar nela", confessa. "Passei anos imaginando uma maneira de reencontrá-la". A procura efetiva começou em janeiro. De volta ao Brasil, ele contratou o advogado Roberto Liesengang para ser seu intermediário na publicação dos anúncios. "Não é minha especialidade, mas ele foi indicado por clientes e resolvi aceitar", diz Liesengang.
A idéia de montar uma campanha publicitária foi de Frank. "Não tinha muitos elementos para uma investigação e achei que ela gostaria dos anúncios", declara. O advogado procurou a agência de publicidade Lowe Loducca. O dono da agência, Celso Loducca, fez o texto do anúncio veiculado em março, que motivou 70 cartas de solidariedade. A família e os amigos não se surpreenderam com a insistência de Frank. "Sabem que faço coisas fora do padrão".
Decidido a levar sua busca até o fim, ele diz não ter medo, por exemplo, de que Paula esteja casada, com filhos ou comprometida. "Seria melhor do que não ter nenhuma notícia dela", desabafa. "O que me motiva a procurá-la é a sensação de que alguma coisa muito boa poderia ter acontecido".
Se voltar a encontrá-la, Frank não sabe ao certo o que vai ocorrer. Mas a idéia não é levar a moça imediatamante ao altar. Ele sabe que existe o "perigo" de Paula não ser quem ele imagina. Afinal, os dois ficaram muito pouco tempo juntos. "Quero saber se existe o interesse dela", diz. "Se sim, gostaria de conhecê-la melhor e, depois de semanas, meses, deixar vir o amor e talvez o casamento".


