Empresário quer voltar a trabalhar
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quinta-feira, 01 de outubro de 1998
Agência Estado e Agência Folha 
O empresário foi sequestrado no dia 17 após abrir a loja em companhia do cunhado e sócio, Avrhan Schwuartz, e do amigo e gerente de assistência técnica da G. Aronson, Francisco Cavalcanti Formiga.
Em seguida, três homens encapuzados levantaram a porta da loja, que estava semi-aberta, e dominaram os dois amigos, que foram obrigados a se deitar, olhando para o chão. Diziam que era um assalto. No fundo da loja, surpreenderam Aronson, que lia um jornal. O empresário foi encapuzado e levado pelos criminosos.
Na esquina da Rua Conselheiro Crispiniano com a Rua 7 de Abril, Aronson foi posto em um Gol verde, que saiu em disparada. Uma testemunha viu os criminosos chegando à loja, quando eles ainda estavam sem os capuzes. Ela conseguiu fazer o retrato falado de dois dos sequestradores - até agora uma das principais pistas da polícia para esclarecer o caso.
No mesmo dia 17, a família recebeu o primeiro telefonema, que confirmava o sequestro e indicava um lugar onde deveria ser apanhado um bilhete. Ali estava a primeira exigência dos sequestradores: um resgate de R$ 1 milhão.
As negociações começaram, conduzidas por Gerson Aronson, que pediu aos criminosos uma prova de que o pai estava vivo. Ele fez uma pergunta aos sequestradores, cuja resposta só o empresário poderia saber. Obtida a prova, a negociação continuou.
Os criminosos entravam em contato com a família sempre por meio de telefonemas feitos de orelhões na Grande São Paulo. A primeira contraproposta da família foi uma quantia um pouco abaixo de R$ 100 mil, que foi recusada pelos sequestradores.
Os parentes explicaram que a rede de lojas estava em concordata desde janeiro e a família não tinha disponível o dinheiro exigido. Foram mais de dez contatos por telefone, antes de o valor final do resgate ser acertado e pago.
Aronson disse ontem que irá hoje para o Guarujá (litoral paulista) para descansar, mas que pretende voltar a trabalhar na próxima segunda-feira, só que mais tarde: Em vez de começar a trabalhar às 5h30, vou começar às 6h30. Aronson disse que permanecerá no Guarujá até domingo. Vou caminhar todos os dias para exercitar as pernas. Eu fui mantido em um cativeiro muito apertado. Por mim, voltaria a trabalhar amanhã, mas todo mundo disse que eu não deveria fazer isso, afirmou Aronson.
Ele classificou a data da sua libertação pelos sequestradores como o dia mais feliz da sua vida. Quanto à sua recepção na loja matriz, no centro, por dezenas de pessoas, o empresários afirmou que foi a maior ovação que já recebeu. Todo mundo me beijou, me deu mil abraços. Fiquei muito agradecido, disse Aronson.
Após dar entrevista coletiva no escritório central da rede de eletrodomésticos, na rua Conselheiro Crispiniano, Aronson foi recebido por cerca de cem pessoas que aplaudiam e gritavam viva. O empresário contou que nos 14 dias de cativeiro só conseguia ver a morte em sua frente. Apesar disso, ele disse que não pretende andar com seguranças. Vão tirar mais o que de mim. Só tenho R$ 511,00 em caixa.


