Marcos Zanatta
De Maringá
O empresário José Carlos dos Santos, que tem uma pequena metalúrgica em Maringá, está na contagem regressiva para a festa de aniversário de 50 anos, que ele prepara há quase uma década. O que mais chama a atenção não é o tempo dos preparativos, os convidados ou as atrações, mas sim o carro de Santos. No início do ano, ele comprou um Ford Ka e ‘‘adesivou’’ o veículo com o motivo principal da festa, a cantora Wanderléa. ‘‘Sou fã dela desde criança, e sempre sonhei em fazer uma festa de aniversário com um show da Wanderléa’’, revelou à Folha.
O carro traz fotos de Wanderléa, anúncios da festa com a data, 17 de junho de 2000. ‘‘Faço 50 anos no dia 18 e ela vai cantar parabéns à meia-noite’’, diz emocionado. Onde passa com o veículo, Santos é abordado pelas pessoas. ‘‘Algumas me dizem que sou ridículo, louco e outras coisas, mas não me importo. O que me interessa é que estou realizando um sonho’’.
Outras pessoas já querem saber como participar da festa. ‘‘Minha intenção é vender cerca de 200 convites, só para pessoas que gostem da Wanderléa e também para pagar parte das despesas’’, afirma. Pelo menos 60% dos convites já estão reservados. Ele calcula que está ‘‘investindo’’ R$ 40 mil, e admite convidar até 300 pessoas.
O sonho de Santos começou há quase 10 anos. Pouco antes de fazer 40 anos, Santos tentou fazer um show com a cantora no aniversário. As dificuldades econômicas na época ‘‘abortaram’’ a idéia. ‘‘Quando fiz 45 anos tentei de novo e não deu certo, mas prometi a mim mesmo que na festa de 50 anos traria a Wanderléa’’, recorda.
Nos últimos anos, ele ‘‘diversificou’’ as atividades da metalúrgica, fabricando todo tipo de churrasqueira, o que deu uma alavancada na empresa. Ele conta que começou a gostar da cantora na década de 60, mas quando ela aparecia na cidade não tinha dinheiro para comprar ver os shows.
Entre 1965 e 1966, Wanderléa veio com o cantor Erasmo Carlos fazer um show no parque de exposições, que ficava nos fundos da catedral. Era a chance de Santos. Junto com um irmão, ele foi até o local e ficou na frente do palco. Quando Wanderléa saiu para Erasmo cantar, os dois passaram por debaixo do palco e foram procurar a cantora.
‘‘Ela estava sentada no meio do banco de um daqueles carrões da época, um ‘rabo de peixe’, e nós sentamos um de cada lado’’, lembra com emoção. Santos e o irmão ficaram conversando cerca de 40 minutos com a cantora.
Há dois anos e meio, ela voltou à cidade, mas Santos não conseguiu conversar com Wanderléa. ‘‘Falei com o empresário dela sobre a festa e ele me disse que o show custaria US$ 10 mil’’, conta. Na época, o dólar estava um por um, o que animou Santos. ‘‘Quando ela ficou sabendo do meu sonho, acertamos em pagar R$ 10 mil. Já paguei a metade’’, revela.
Ele também já contratou o local, o Clube Olímpico, já comprou toda bebida e está em contato com cantores locais, que interpretam músicas da época da Jovem Guarda. A negociação para a festa aproximou Santos e Wanderléa. Ela manda fotos para ele e sempre que pode dá notícias. ‘‘Agora é esperar pelo dia’’.

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