Empresário pode ter mandado matar dono de jornal em MT
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2003
Nelson Francisco<br> Agência Estado 
Cuiabá - A morte do dono jornal ''Folha do Estado'', de Cuiabá, Sávio Brandão, ocorrida em 30 de setembro de 2002, teria sido encomendada pelo empresário João Arcanjo Ribeiro, o Comendador, e teria custado R$ 500 mil. A revelação é de uma testemunha de acusação arrolada pelo Ministério Público Federal no processo que investiga o crime organizado em Mato Grosso.
A testemunha, que não teve a identidade revelada e faz parte do Programa Nacional de Proteção à Testemunha, afirmou na madrugada de ontem, ao juiz da 3 Vara Federal de Cuiabá, César Augusto Bearsi, que o bicheiro foragido desde 5 de dezembro do ano passado, teria gasto ainda R$ 1 milhão pelo assassinato do sargento José Jesus de Freitas, ocorrido em 27 de abril de 2002.
A Justiça Federal começou a ouvir na quarta-feira as 19 testemunhas de acusação no processo que investiga o crime organizado no Estado. Todas elas foram indicadas pelo Ministério Público em denúncia oferecida em 11 de dezembro do ano passado.
De acordo com a denúncia, o Comendador, que comandaria o jogo do bicho em Mato Grosso, seria chefe de uma quadrilha com ramificações em vários Estados e no exterior. O empresário está sendo procurado em 181 países pela Polícia Federal e Interpol (Polícia Internacional).
Segundo o Ministério Público, o Comendador é suspeito de tráfico de drogas, contrabando de armas, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, agiotagem e de chefiar o jogo do bicho no Estado. O Comendador também é acusado de chefiar uma quadrilha acusada de assassinatos.
Investigações secretas de agentes federais apontam João Arcanjo como o chefe de uma das maiores redes criminosas já descobertas no País. Além do controle do jogo do bicho, o ex-policial civil é dono de um conglomerado de empresas, cassinos, um hotel de luxo na Flórida, Estados Unidos, dez propriedades rurais - entre elas, uma gigantesca fazenda de piscicultura, estacionamentos, um shopping center e vários veículos importados. Ele acumula fortuna há duas décadas, quando montou a Colibri, empresa que coordenava o jogo do bicho em Mato Grosso. Antes, atuava como segurança de políticos e empresários.


