Empresário foi investigado por tráfico de drogas
Montes Claros, MG, 30 (AE) - O empresário Paulo César Santiago, irmão do deputado estadual Arlen de Paulo Santiago Filho (PTB-MG), foi investigado por suposto envolvimento com tráfico de drogas em Montes Claros, Norte de Minas Gerais, base eleitoral do parlamentar. "Apuramos que ele (César Santiago) faria tráfico de drogas usando os próprios aviões e as boates que tinha na cidade", afirmou o ex-delegado de Tóxicos de Montes Claros Otacílio de Lima.
A Polícia Civil da cidade abriu inquérito contra ele em 1986, mas as apurações não foram concluídas. Todos os policiais que trabalharam no caso foram transferidos.
"Não tenho dúvida que isso aconteceu porque ele (César Santiago) era muito influente e esteve aqui acompanhado de três deputados da região", disse um dos policiais encarregados das investigações na época, José Ribeiro. O empresário e outro irmão
Pedro Santiago, foram indiciados antes que os responsáveis pelo caso fossem afastados.
Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Assembléia Legislativa de Minas Gerais informaram hoje que, desde novembro, quando os trabalhos foram iniciados, receberam oito denúncias contra Santiago Filho e o empresário. Só não as investigaram porque os indícios foram considerados insuficientes.
"Antes, tinhamos denúncias anônimas, nada concretas, mas, agora, há indícios e vamos ouvir, conforme requerimento já aprovado, o deputado, o irmão e a testemunha-bomba que os envolveu com o traficante Fernando Beira-Mar, principal alvo da nosssa CPI", disse o relator da comissão mineira, Rogério Correia. A principal discussão na Assembléia, na tarde de hoje, era sobre o afastamento ou não de Santiago Filho imediatamente, enquanto são feitas as apurações sobre as denúncias.
O presidente da Casa, Anderson Adauto (PMDB), posicionou-se contrário, alegando que ainda não há motivos para que o parlamentar seja afastado. O deputado Durval Angelo (PT), vice-presidente da Assembléia, defendeu, porém, o imediato a afastamento de Santiago Filho. "A presença do parlamentar influencia o processo de investigação da CPI, incentiva o espírito de corpo entre os deputados e gera uma sensibilidade negativa no plenário", disse.
Santiago Filho, médico e advogado que entrou na política em 1992, negou, em Belo Horizonte, qualquer envolvimento com o mtráfico. Ele atribuiu a denúncia da testemunha ouvida no Rio a "uma armação política" visando a o atingir e à família dele. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas Gerais, Santiago Filho, eleito para o primeiro mandato como deputado em 1998 - antes, no entanto, ele havia sido prefeito de Coração de Jesus (MG) e vice-prefeito de Montes Claros -, declarou ter gasto R$ 135 mil na campanha, na qual obteve 41 mil votos.
Os recursos foram bancados por ele mesmo, por dois homens identificados como Marcelo Correia Machado e Márcio Coelho Antunes e por dois hospitais. Embora não haja em curso nenhuma invetigação policial contra o deputado estadual do PTB de Minas Gerais e a família dele, os deputados da CPI mineira pretendem descobrir, com a ajuda, possivelmente, da Polícia Federal (PF), César Santiago enriqueceu "tão rápido".
Segundo os parlamentares, em cinco anos, o empresário teria passado de funcionário de uma loja de peças a dono de agências de carro em Montes Claros e no Rio. Hoje, depois de desfazer-se de uma empresa de táxi aéreo, ele também possui um haras em Montes Claros, onde cria cavalos.





