Empresário é preso sob a acusação de ter mandado matar juiz
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quinta-feira, 13 de abril de 2000
Por Nelson Francisco 
Cuiabá, 14 (AE) - O empresário Josino Guimarães, acusado de ser um dos mandantes do assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral, morto no Paraguai em setembro de 1999 - dois meses depois de ter denunciado uma rede de corrupção no Tribunal de Justiça do Estado - foi preso hoje à tarde pela PF. A ordem de prisão foi decretada pelo juiz da 2.ª Vara Federal, Jefferson Schnneider, que acolheu pedido do procurador regional da República, José Pedro Taques. O empresário foi preso por agentes da PF quando deixava o escritório do seu advogado, Zoroastro Teixeira.
O empresário teria se encontrado na semana passada em Mato Grosso com o traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. A Polícia Federal e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico estadual confirmam a informação. A presidente da CPI estadual, Serys Slhessarenko (PT), disse que as informações sobre a passagem do traficante carioca, foragido desde 1997, estão na gravação telefônica do disque-denúncia da Assembléia Legislativa.
Segundo fontes da PF, o suposto envolvimento de Fernandinho Beira-Mar com Josino Guimarães poderá mudar o rumo das investigações sobre o assassinato do juiz Marques do Amaral, o narcotráfico e o crime organizado no Estado. O empresário é citado nas denúncias do juiz como "corretor de sentenças" do TJ.
Agentes da Polícia Federal de São Paulo, Rio e Mato Grosso cumprem a partir de hoje, em Cuiabá, mandado da Justiça Federal determinando o sequestro de todos os bens de Guimarães. Tornaram-se indisponíveis, entre outros, carros importados, barcos, uma casa no município de Angra dos Reis (RJ) e a residência campestre construída na Chapada dos Guimarães, avaliada em mais de R$ 4 milhões.
O sequestro de bens do empresário foi solicitado pelo procurador regional da República, José Pedro Taques, com base nas investigações realizadas pela própria Polícia Federal no inquérito que apura lavagem de dinheiro. O Ministério Público ainda não estimou os valores dos bens que estavam em poder de Guimarães.
As investigações sobre as atividades do empresário tiveram início a partir de sua prisão temporária, em setembro de 1999, decretada também pela Justiça Federal em função das denúncias feitas pelo juiz Marques do Amaral.
Nesse período, a Polícia Federal realizou uma ampla devassa fiscal, bancária e telefônica. O único bem ainda não localizado é um carro importado da marca Nissan, adquirido como parte do pagamento pela mansão na Chapada dos Guimarães, vendida por Guimarães aos empresários José Osmar Borges e Valdir Piran. O importado de luxo estaria escondido na capital paulista.
Josino Guimarães foi denunciado pela escrevente Beatriz árias Paniágua - indiciada na co-autoria do crime junto com o tio, o taxista foragido Marcos Peralta - como sendo um dos supostos mandantes do assassinato do juiz Amaral. O outro seria um desembargador.
O advogado do empresário, Zoroastro Teixeira, negou todas as acusações contra seu cliente. Teixeira promete processar a escrevente, que afirmou estar sofrendo ameaças de morte do advogado.
Segundo a Polícia Federal, Marcos Peralta estaria na região do chaco paraguaio, com Fernandinho Beira-Mar e outros traficantes cariocas que estão sendo investigados pela CPI. Sem manter contato há um ano com a família, em Cuiabá, os parentes de Peralta acreditam que ele esteja morto.
A morte do juiz obrigou a CPI do Judiciário do Senado a investigar as denúncias feitas por ele contra desembargadores. No relatório final, o relator Paulo Souto (PFL-BA) recomendou ao Ministério Público Federal processar o empresário criminalmente.
Sudam - O empresário José Osmar Borges, do Grupo Pirâmide, também teve os bens apreendidos, na quinta-feira, por ordem da Justiça Federal. Borges é acusado de ter desviado recursos de financiamentos da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Ele pleiteou e obteve recursos da Sudam, num total superior a R$ 50 milhões, destinados à construção, montagem e operação de um moinho de trigo no distrito industrial de Cuiabá. A operação de sequestro e apreensão de bens também foi determinada pela Justiça Federal.


