Empresário é personagem folclórico
São Paulo, 1 (AE) - Girsz Aronson é o mais folclórico empresário do varejo paulistano. Dava expediente diário na matriz da rede, na Rua Conselheiro Crispiniano, no centro da capital paulista, onde durante 52 anos chegava todos os dias às 6 da manhã, de bicicleta, e só saía às 8 da noite.
"Quero morrer fazendo isso, menino", dizia Aronson. Menino é a forma de tratamento que dispensa a todos os interlocutores - clientes, fornecedores ou jornalistas que o procuram para saber como estão as vendas do comércio.
O hábito de Aronson de madrugar nas lojas também lhe custou momentos difíceis. Em 17 de setembro do ano passado, ele foi sequestrado por três homens encapuzados, por volta das 6 horas, na loja da Rua Conselheiro Crispiniano. Foi libertado 14 dias depois.
A família, que insistiu em manter a polícia afastada do caso, pagou um resgate de R$ 117 mil. O pedido inicial era de R$ 1 milhão. Seus funcionários fizeram festa quando ele retornou ao trabalho, e Aronson agradeceu o apoio que recebeu da população.
O próprio empresário se encarregava de barganhar a compra das mercadorias com os fornecedores e negociar diretamente com os consumidores que iam à loja da Conselheiro Crispiniano.
"Sempre atendi no balcão", costumava dizer. "Isso é que me deixa saudável.Vou fazer o quê? Viajar para o exterior?"
perguntava.
Aronson começou no comércio aos 12 anos de idade, como vendedor de jornais e bilhetes de loteria. Em 1945, montou sua primeira loja, especializada na venda de casacos de pele e bolsas de crocodilo. Em 1952, partiu para o ramo de artigos infantis, com a loja Gurilândia.
Seu interesse pelo setor de eletrodomésticos começou em 1962. Uma loja ao lado da sua fechou e o gerente pediu a ele que ficasse com o negócio. Enquanto pensava no que faria com o novo ponto, leu nos jornais da época numerosos anúncios de fogões e geladeiras. Tomou a decisão.





