Empresário diz que não há espaço para novos shoppings em SP
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segunda-feira, 13 de setembro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 14 (AE) - A cidade de São Paulo não comporta a abertura de novos shopping centers. Não há área física vazia, sem competidores na vizinhança, para receber novos empreendimentos. O diagnóstico é do empresário Paulo Malzoni, que inaugura, no próximo dia 17, seu quarto shopping na cidade, o Higienópolis. Os outros três são Paulista, Plaza Sul e West Plaza, além de um outro no Rio. O faturamento dos cinco chegará a RS 1,2 bilhão no próximo ano.
Com suas 199 lojas já alugadas, o Higienópolis será um dos metros quadrados mais caros da cidade, equiparando-se a shoppings tradicionais, como o Morumbi e o Iguatemi. Por estar num bairro nobre e de comércio fraco, o Higienópolis será, na definição de Malzoni, um shopping "classe A", com lojas sofisticadas, além de serviços que atendam essa clientela.
A expectativa de Malzoni é de que em três ou quatro anos ocorra o retorno do investimento de R$ 110 milhões, feito quase que exclusivamente por seu grupo. O BNDES entrou com um financiamento de 20%. Nos outros empreendimentos, Malzoni tem participações menores, tendo parcerias, até mesmo, com o grupo holandês com quem dividia o controle da antiga rede de lojas Sears.
Além de seis salas de cinema, a área de lazer do Higienópolis terá novidades. Uma delas é um teatro, com 300 lugares, que ainda não tem operador escolhido. Outra é uma pista de cooper, de 450 metros, no teto do prédio e ao ar livre, que só poderá ser utilizada pelos moradores do bairro, que serão identificados por um cartão. As atrações incluem ainda uma mega-livraria e um sofisticado restaurante, cujo um dos sócios é Luciano Boseglia (ex-Fasano), com uma escola de culinária montada ao lado.
Crescem as vendas - Desde o começo deste segundo semestre, Malzoni detectou um crescimento das vendas nos três shoppings em operação. "Este fim-de-ano vai ser bom", prevê o empresário, citando a redução dos juros ao consumidor final como uma das razões para a melhora. A queda do nível de endividamento dos consumidores seria outra.
Malzoni admitiu que o nível de inadimplência entre os lojistas dos shoppings cresceu, mas não de forma significativa. No Paulista, que tem a maior rentabilidade entre os empreendimentos do grupo, a indimplência é zero e há 40 comerciantes numa lista para abrir uma loja. Isso faz com que o grupo cogite uma expansão do Paulista.
Nos próximos meses, os três shoppings sofrerão modificações à medida que todos abrigavam lojas ou do Mappin ou da Mesbla que foram fechadas. Malzoni estuda alternativas para ocupá-las, admitindo que pode desmembrá-las ou não. A rede espanhola de roupas Zara, que abrirá sua primeira loja brasileira no Shopping Morumbi, é uma das possibilidades em discussão. Ampliar a área de lazer também é uma alternativa.
Independentemente do futuro do espaço que abrigava a loja do Mappin, há planos para expansão do West Plaza, sem data definida. Os atuais cinemas seriam fechados e transformados em restaurantes, enquanto novas seis salas, com equipamentos mais modernos, seriam abertas. Uma academia de ginástica seria instalada e seria feita uma unificação das três garagens existentes, facilitando a circulação dos consumidores que se queixam da divisão.


