Empresário deixa de ser 'chorão do cotidiano'
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sexta-feira, 01 de janeiro de 1999
Pedro Ribeiro Curitiba 
Os empresários brasileiros estão mudando a postura no trato com o governo central. Deixarão de ser os chorões do cotidiano para se transformarem em parceiros do crescimento e desenvolvimento. No Paraná, a lição de casa já está sendo colocada em prática pelo presidente da Federação das Indústrias (Fiep) e do Sebrae, José Carlos Gomes Carvalho. As palavras de ordem da agenda são estrutural e conjuntural.
O vício crítico do choro - a sobrevivência dos empresários - dá lugar à discussões estruturais, onde as lideranças levarão ao Presidente da República e aos técnicos do governo não só o problema, mas também a solução. E foi o que aconteceu na última reunião, realizada no início de dezembro, entre os representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o presidente Fernando Henrique Cardoso, onde foi divulgado o documento Custo Brasil - o que foi feito, o que ainda precisa ser feito.
Prestação de contas Para a CNI o Custo Brasil significa uma agenda de trabalho, uma forma de contribuir objetivamente para a agenda maior de transformação da economia brasileira, disse Carvalho. O documento entregue ao presidente Fernando Henrique Cardoso representa um primeiro balanço do que se avançou, e do que se deixou de avançar, em termos de redução do Custo Brasil nestes últimos anos. É uma prestação de contas, analisando, do ponto de vista do setor industrial, os avanços, eventuais recuos e o que resta por ser feito nas diversas áreas que compõem o Custo Brasil.
Na opinião dos industriais, o balanço não pode ser classificado de entusiasmante. É encorajador, observa Carvalho. Segundo ele, o trabalho deixa claro que mudanças importantes ocorreram em várias áreas, como o sistema tributário, a infra-estrutura e o comércio exterior. Algumas dessas mudanças têm desempenhado papel relevante para o aumento da competitividade de segmentos importantes da economia, refletindo-se em muitos casos em maiores exportações.
Agenda da Indústria Competitividade e Crescimento. Essa é a agenda da indústria que, segundo o presidente da Fiep, vai trazer uma visão estratégica do futuro da indústria brasileira. Para os industriais ligados à CNI, o Brasil cada vez tem mais pressa. O maior desafio está na ação. A indústria brasileira confia em sua capacidade de responder aos desafios de um mundo em mutação, como tem feito até agora. Para o prosseguimento de êxito da sua missão, os empresários entendem ser imprescindível que o ambiente externo às empresas deixe de representar uma desvantagem competitiva.
A indústria brasileira quer elevar a competitividade e a sua consolidação entre os principais pólos manufatureiros da economia mundial, por meio da capacidade de produção baseada na eficiência e inovação de processos e produtos. Ancorada em vasto mercado interno, a indústria deverá estar integrada aos fluxos dinâmicos da economia mundial e apresentar crescentes coeficientes de exportação. Para chegar aonde quer, a CNI têm uma vasta agenda de trabalho baseada em 123 itens.
O aumento da competitividade é o eixo central da agenda de desenvolvimento industrial. Exportar é o principal foco. A redução significativa e duradoura das taxas de juros é a questão macroeconômica decisiva para o aumento da competitividade e a consolidação da estabilidade, diz o documento Competitividade e Crescimento: a agenda da indústria, encaminhado ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
Segundo os industriais, o desafio da competitividade exige revisão das nossas instituições e das políticas horizontais que afetam o desempenho competitivo da indústria. Afirmam que é imprescindível e urgente que se reforme o sistema tributário para que sejam dosobstruídos os canais que levam a uma maior competitividade de produção nacional.
Para analisar e acompanhar o documento encaminhado pela CNI, o presidente Fernando Henrique Cardoso nomeou o economista Clovis Carvalho.


