São Paulo, 23 (AE) - O empresariado do comércio de São Paulo está menos otimista quanto à situação econômica do País em julho ante as expectativas observadas no mês passado. Para 31 05% dos empresários paulistas, a situação do Brasil este mês está pior em relação a junho, que chegou a registrar percentual igual a 23,85%.
A percepção do empresariado tornou-se mais volátil em julho, mostrando que houve um aumento da incerteza quando se trata da avaliação das condições econômicas gerais do Brasil.
Os dados da Pesquisa de Opinião do Comércio (POC), elaborada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) e divulgada em parceria com a AGÊNCIA ESTADO, revelam que em julho, 15,26% dos empresários acreditam que a situação do País está melhor em relação a junho, que verificou uma margem de 17,67%. Para 50%, a situação está igual ao mês passado, marca um pouco abaixo dos 55,48% que acreditavam que a situação estava igual ao mês anterior.
Segundo o economista da FCESP, Fábio Pina, a sensação negativa dos empresários acontece em razão da puxada do dólar, da piora da situação externa e do tarifaço (reajuste dos preços dos serviços públicos). Influenciados pelo comportamento retraído dos consumidores, os empresários também ficam na espera de uma alta de preços, que diminui o poder de compra e inibe o consumo.
"Os empresários reverteram a sensação de otimismo num pessimismo moderado, verificando que ainda há uma certa incapacidade do governo em lidar com turbulências externas e controlar o câmbio e inflação ao mesmo tempo", avaliou Pina.
As perspectivas de que o segundo semestre seria melhor do que o primeiro estão se reduzindo. Os empresários estariam deixando de lado o pleno otimismo para encarar a real situação econômica do País. Pina explica que as estimativas do primeiro semestre eram tão ruins (desvalorização cambial, pressão inflacionária, alta dos juros, redução do PIB, alto índice de desemprego e perda da produtividade), que as expectativas para o segundo semestre só poderiam ser positivas.
"No entanto, empresários, economistas e o próprio governo perceberam que as expectativas eram muito elevadas. A queda dos juros não chegará a 10% em dezembro, como anunciado pela equipe econômica, e nem as exportações surpreenderam", afirmou Pina.
Apesar das expectativas menos otimistas, os entrevistados dão um voto de confiança quanto ao futuro da economia do País, no longo prazo (próximos 12 meses). O índice de respostas positivas melhorou, ao mesmo tempo em que não foi registrado aumento significativo nas respostas negativas.
Aumentou de 21,38%, em junho, para 31,58% este mês, o índice dos empresários que confiam na melhora das condições econômicas do Brasil nos próximos 12 meses, enquanto permaneceu quase estável (22,46% em julho contra 21,03% em junho) o índice dos entrevistados que consideram que este período será pior. O índice dos que acreditam que a situação será igual no próximo ano em relação aos 12 últimos meses também diminuiu, de 45,58% em junho para 34,39% este mês.
Em relação ao futuro da própria empresa, parte dos entrevistados está descrente na possibilidade de melhora, mesmo a longo prazo. Saltou de 13,96%, em junho, para 17,72% em julho, o percentual dos empresários que acreditam na melhora da própria empresa nos próximos 12 meses.
Apesar disso, melhorou um pouco o índice dos entrevistados que confiam numa melhora, de 43,29%, em junho, para 45,44% este mês. "A crise faz com que os empresários se tornem mais queixosos com relação à sua situação. Fica difícil aceitar na consistência do fato de que a maioria dos empresários acredita que suas empresas estará em situação precária, enquanto o país melhora", avaliou Pina.
Real - O Plano Real atingiu a pior pontuação, de 4,41 em julho, dos empresários do comércio paulista desde que foi implantado. No mês passado, a nota do real havia se recuperado um pouco, quando alcançou 4,56. A variação é pequena, mas o sentimento de reprovação continua a existir.
Segundo o economista Pina, durante os primeiros quatro anos e meio do Plano Real, a média das notas só foi inferior a 5 após a desvalorização. "Esta queda se explica por causa de um novo repique inflacionário entre julho e agosto", calculou.

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