Curitiba - O empresário Hissan Hussein Dehaini, preso em março de 2000 durante a passagem da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico pelo Paraná - acusado de comandar o tráfico de drogas na Região Metropolitana de Curitiba -, voltou ontem a ser foco de ações da Polícia Federal (PF). Ele estava sendo investigado desde o dia 28 de janeiro de 2005 por supostamente ter participação na morte do major Pedro Plocharski, assassinado por um grupo de pessoas ligadas ao crime organizado. Durante as investigações, a PF descobriu um esquema comandado pela empresa Icaraí Taxi Aéreo para fraudar licitações públicas em Roraima.
A fraude teria a conivência de organismos públicos e políticos de Roraima. Hussein conseguia, segundo a PF, participar e vencer as licitações mediante fraude e ainda recebia mais do que deveria. Ele ordenava aos seus pilotos que voassem abaixo do previsto para demorar mais para cumprir o percurso e, com isto, receber mais horas de vôo.
A prisão de Hussein foi cumprida ontem com mandados expedidos pela Justiça Federal de Roraima e pela Justiça Estadual do Paraná através da Operação Metástase. ''A principal fraude era através de licitação para helicópteros da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), com desvio de dinheiro feito com contabilidade equivocada das horas'', definiu Ramon Almeida da Silva, delegado da PF e coordenador regional da operação.
No Paraná, o empresário ainda é alvo de várias investigações. Uma delas, por sonegação fiscal -já que o patrimônio dele não corresponde aos ganhos obtidos nos últimos anos. Hussein chegou em Araucária, onde se estabeleceu, em 1985. Em pouco tempo adquiriu postos de combustível, uma empresa de táxi aéreo, hotéis e empresas de turismo (investigadas por lavagem de dinheiro).
A mansão que construiu no bairro Estação tem 1,7 mil metros quadrados de área construída num terreno de 23 mil metros quadrados, tem dois andares, sistema interno e externo de alarme e câmeras, heliponto, aquecimento interno, 17 banheiros, salão de festas para 100 pessoas, sala de 200 metros quadrados para convidados, garagem para oito carros e 12 quartos.
Também foram cumpridos mandados de prisão de dois gerentes (um do posto de gasolina e outro da táxi aéreo), um servidor público da Prefeitura de Araucária, do filho do empresário, Rihad Hussein Dehaini, e do ex-policial civil Samir Skandar (expedido mandado de prisão que foi assinado, mas Skandar já estava preso desde a Operação Tentáculos, da PF -que investigou o assassinato de Plocharski e a ação de uma quadrilha que atuaria no tráfico de drogas no Paraná). Do total de helicópteros de Hussein, três estariam atuando em Roraima.
O empresário está sendo indiciado em inquérito por fraude em licitação, lavagem de dinheiro, descaminho, corrupção ativa, formação de quadrilha, sonegação fiscal, crime contra a ordem econômica e quebra de sigilo telefônico. As prisões ocorreram às 8 horas de ontem e as buscas foram cumpridas por 45 policiais federais.

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