Empresário confirma relação comercial com ex-administrador
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sábado, 17 de abril de 1999
Por Roberto Fonseca (especial para a AE) 
São Paulo, 18 (AE) - Em depoimento à polícia, o empresário Omar Aboujouk afirmou ontem (17) que mantinha relações comerciais com o ex-administrador regional da Mooca e engenheiro José Augusto Fernandes Gomes. A polícia está investigando se Aboujouk era responsável por "lavar" o dinheiro arrecadado em propinas na Regional da Lapa e trocá-lo por dólares. O empresário disse que negociava carros e recebia cheques e dinheiro de Gomes, mas negou que fosse doleiro.
Gomes é acusado pelo proprietário de um estabelecimento na Lapa de cobrar propina com o ex-regional da Lapa Gilberto Trama e o fiscal Januário Costa Santos. Gomes negou as acusações feitas contra ele, mas confirmou ter imóveis e uma loja de carros usados, bem como um prédio comercial de três andares.
Também depôs à polícia, na madrugada de ontem (17), o ambulante Marcos Maldonado. Horas antes, ele havia dado declarações à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, que investiga a corrupção nas regionais. Segundo o delegado Romeu Tuma Júnior, as declarações de Maldonado podem dar origem à investigação de outros esquemas de extorsão.
Prisão - A ambulante Ana Maria Pontes Teixeira foi presa ontem (17). Ela é suspeita de coletar propinas entre os camelôs da região da Rua 12 de Outubro e repassá-la a fiscais da Lapa. Ela deveria ser ouvida hoje à noite com outras duas testemunhas. O delegado Romeu Tuma Júnior acredita que o depoimento da ambulante também pode levar a novos suspeitos.
Ainda na madrugada de ontem, o fiscal Paulo Antônio, preso na terça-feira, participou de uma acareação com o chefe de fiscalização Amauri Rippa. Em depoimento anterior, Antônio havia afirmado que Rippa exigia que ele e o também fiscal Sidney Cecchi entregassem R$ 300,00 semanais coletados entre ambulantes das Ruas Imperatriz Leopoldina e Gastão Vidigal.
Segundo o fiscal, Rippa afirmava que o dinheiro era destinado ao vereador José Izar (PFL). O dinheiro seria entregue a Rippa toda sexta-feira. Conforme Antônio, caso o dinheiro não fosse entregue, o fiscal responsável poderia ser afastado. "Às vezes, arrecadávamos mais e guardávamos o dinheiro para inteirar o valor em outras ocasiões." O chefe de fiscalização, visivelmente nervoso, negou que fizesse exigências financeiras. Os dois chegaram a discutir em voz alta durante a acareação.
Antônio também afirmou que Rippa obrigou fiscais da Lapa a fazer campanha política para Willian Izar, irmão de José Izar, que se candidatou a deputado estadual em 1998, mas não foi eleito. "Tínhamos de distribuir camisetas, bonés e colocar plaquinhas, caso contrário ele (Rippa) dizia que Izar ia nos perseguir." O material seria retirado em um galpão na Vila Leopoldina, onde muitos comerciantes teriam sido vítimas de extorsão de fiscais.
Rippa confirmou que fiscais trabalharam na campanha de Willian Izar, mas negou que tivessem sido obrigados a participar. Segundo Tuma Júnior, Antônio foi firme em sua postura durante a acareação. "Ele parece estar falando a verdade."
As prisões temporárias do ex-administrador regional Gilberto Trama, do engenheiro José Augusto Fernandes Gomes e do fiscal Januário Costa Santos, que venciam na madrugada de sexta-feira, foram renovadas por mais cinco dias.


