Belo Horizonte- Após 20 anos de dores intensas e diagnósticos equivocados, a empresária Maria das Dores Kroger Teixeira, 57, descobriu por acaso que era portadora do HTLV. O marido foi doar sangue para um conhecido. O vírus, transmissível por via sexual, foi detectado.
Após receber três cartas do banco de sangue, ela resolveu fazer o teste. Revelada a existência do vírus, recebeu o diagnóstico -correto- de paraparesia espástica tropical (PET), uma doença neurológica grave associada ao HTLV e que causa fraqueza progressiva dos membros inferiores e incontinência fecal e urinária, entre outros sintomas.
Ela conta que as dores começaram há cerca de 20 anos, com ardência súbita nos pés. A dor evoluiu para outras partes do corpo. ''Me falavam que era doença de gente desocupada'', disse Teixeira, que conta ter recebido também diagnósticos de osteoporose (doença que afeta os ossos), reumatismo (problemas nas articulações), fibromialgia (dor muscular crônica) e até pé chato.
Como sua doença já estava em fase aguda, ela foi internada há duas semanas no hospital Sarah Kubitschek, em Belo Horizonte, onde ficará por um mês aprendendo exercícios de fisioterapia para fazer em casa.
Como já não consegue levantar sem ''pesar a coluna'' e andar 50 metros sem dor, está se locomovendo em cadeira de rodas. Quando vai para casa, nos finais de semana, esconde o aparelho dos vizinhos. ''Eu ainda não assumo a cadeira de rodas'', diz ela. ''A palavra coitada não cabe para mim'', declarou.
O marido e uma filha também são portadores do vírus, mas não desenvolveram doenças.(A.F.)

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