Empresária de 38 anos é morta com tiro na cabeça no Rio
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sábado, 17 de julho de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 18 (AE) - A empresária Sônia Maria Chiapim Leite, de 38 anos, morreu hoje, após ter sido baleada na cabeça, durante tentativa de roubo de automóvel no Andaraí, na zona norte do Rio.
Outras três pessoas foram baleadas no mesmo sinal de trânsito em que ocorreu o crime, na noite de ontem (17). Os assaltantes, ao verem frustrada a primeira tentativa de roubo, dispararam contra ocupantes de outros dois carros e conseguiram fugir no quarto automóvel que abordaram, no Andaraí, na Rua Barão de Mesquita, a mais movimentada do bairro.
Sônia estava com o carro parado no sinal, a 500 metros de sua residência. O namorado da empresária, Valter Luiz da Silva, de 45 anos, que estava ao volante, também foi baleado. Os assaltantes haviam tentado roubar o Tempra da estudante Érica Barros Guimarães, de 29 anos, parado na frente do Corsa de Sônia. Moradora no condomínio quase em frente do sinal, Érica levou um tiro de raspão na clavícula esquerda, quando arrancou com o carro. Ela foi liberada na manhã de hoje pelos médicos do Hospital-Geral do Andaraí.
O aumento da incidência de roubos de carro na região conhecida como Grande Tijuca, que inclui o Andaraí, causou uma crise no governo do Rio que começou com a exoneração do delegado titular da Metropol 3, Mário Azevedo, no dia 30. O governador Anthony Garotinho (PDT) ficou irritado porque o delegado havia divulgado que o índice de roubo de automóveis na região aumentara em relação ao governo anterior. O então delegado da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores Terrestres (DRFVAT), José Januário de Freitas, também foi afastado do cargo.
Terceira vítima do assalto, o bancário Cleanto Carlos Sabione, de 33 anos, teve o maxilar fraturado por um tiro que atravessou o ombro esquerdo dele. Ele estava parado com o Kaddet perto do carro de Sônia e continua internado. O namorado da empresária foi baleado no antebraço esquerdo e deixou o hospital hoje à tarde, recusando-se a dar declarações. Sônia era sócia de uma rede de restaurantes com três estabelecimentos na cidade. "Minha filha saiu de casa tão feliz, e eu esperava que ela voltasse; o que aconteceu foi uma barbaridade", lamentou a mãe de Sônia, Idiléia, que esteve no hospital pela manhã para identificar o corpo. Até o fim da tarde, não havia registro dos crimes na 20ª Delegacia Policial (Vila Isabel). Segundo testemunhas, eram três os criminosos, que teriam fugido num quarto carro, cinza.
O crime de sábado ocorreu uma semana após o início da operação realizada pela DRFVAT na Grande Tijuca. O atual titular da delegacia, Rafik Louzada, afirmou hoje que havia policiamento em locais próximos ao que ocorreu o assalto. Já o chefe de Polícia Civil, delegado Carlos Alberto dOliveira, admitiu, porém, que deve haver um reforço no policiamento de rua voltado para a repressão a roubo e furto de automóveis. Segundo Louzada
com o início da operação, houve uma queda no número de carros roubados de cerca de 150 para uma média de 120 por dia.
"Esse sinal é muito perigoso; minha tia Marise morreu aqui com três tiros em 97", afirmou Juliano Barbosa Macario, de 13 anos, que mora no condomínio de Érica. Os seguranças do condomínio explicaram que não puderam fazer nada porque não usam armas.
A médica Cátia Teixeira de Melo, de 50 anos, também foi baleada hoje de madrugada, durante uma tentativa de assalto em Parada de Lucas, zona norte da cidade. Internada no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, ela está fora de perigo. Cátia levou um tiro no rosto quando, segundo policias da 39ª DP (Pavuna), voltava de Barra Mansa para Vilar dos Teles e se perdeu em Parada de Lucas. A médica teria acelerado quando a picape S-10 foi interceptada por três homens na Rua Tinhoré.


