Empresária acusa superintendente do BNB de receber propina
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 08 (AE) - O superintendente regional do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) para Bahia e Minas Gerais, Marcos Antonio Barroso, é acusado de receber propina para tornar ágil a liberação de crédito a empresas que procuram a instituição. A denúncia foi feita pela empresária Dalva Sale Paiva, dona da GP Consult, que realizava os projetos.
Quem recorre à instituição precisa apresentar, junto com o pedido do financiamento, o projeto no qual o dinheiro será aplicado.
Dalva disse que pagava para Barroso 25% do total recebido pela GP Consult por projeto. Além disso, a GP bancava jantares, hospedagem em hotéis, fretamento de aviões e outras mordomias para o diretor do banco.
Segundo a empresária, Barroso procurava direcionar para a GP todos os empresários e empresas que procuravam o BNB com o objetivo de pedir dinheiro emprestado.
O "relacionamento" entre Barroso e a GP Consult, iniciado em 1995, deteriorou, contudo, porque o dirigente do banco estaria pedindo cada vez mais. Os dois brigaram em abril de 1998, quando a GP quebrou ao repassar R$ 65 mil a Barroso, referentes aos R$ 200 mil que ganhou na elaboração do projeto de transporte alternativo através de vans para Salvador, financiado pelo BNB. Segundo Dalva, o GP elaborou, entre 1995 e o inicio de 1998, cerca de cinco mil projetos de financiamentos e estaria com outros quatro mil engatilhados.
Dalva e Barroso estão brigando na Justiça baiana. A empresária entrou com uma ação para receber cerca de R$ 350 mil de atrasados do BNB, enquanto Barroso está processando Dalva por injúria. No depoimento prestado à juiza Soraya Pinto, da 4ª Vara Criminal de Salvador, que julga o processo de injúria, a empresária confirmou tudo, detalhando como funcionava o esquema.
Apresentou também, como prova das benesses, um fax do Hotel Portal de Lençóis, que confirma a hospedagem de Barroso paga pela GP. A empresária disse ter conhecido Barroso quando trabalhava na prefeitura de Lauro de Freitas (Região Metropolitana de Salvador). Ele teria acertado com ela a criação da empresa de consultoria para a contratação dos projetos do BNB. Uma das exigências de Barroso seria o pagamento das propinas em dinheiro e pessoalmente.
Dalva disse ter levado muitas vezes o dinheiro na casa do diretor. A empresária reafirmou hoje as denúncias, na sede do Sindicato dos Bancários da Bahia, que há três anos vem acusando Barroso de irregularidades. A entidade acrescentou mais um item suspeito no caso: os bancários conseguiram o extrato de uma conta de Barroso, numa agência do Bradesco em Salvador, com uma alta movimentação. O extrato é refente ao período de outubro de 1998 a abril de 1999 e registra depósitos de R$ 106.140,00. Desse total, mais de R$ 94 mil foram em dinheiro. O presidente do Sindicato dos Bancários, álvaro Gomes, explica que, embora o período do extrato seja posterior aos supostos pagamentos da GP Consult, o fato bate como o "modus operandi" descrito pela empresária.
"Se formos pensar que o superintendente do BNB tem um salário mensal de R$ 5 mil, a movimentação torna-se mais suspeita ainda", disse, achando que o dirigente deve explicações à sociedade. O sindicato vai pedir ao Ministério Público (MP) uma ação judicial para quebrar o sigilo bancário de Barroso. Na Assembléia Legislativa, o líder do PT, Paulo Jackson
também cobrou explicações do dirigente.
Já a empresária disse ter denunciado o caso à presidência do BNB, ao Banco Central (BC) e ao Ministério da Fazenda. Barroso evitou a imprensa durante a tarde de hoje. O departamento jurídico da instituição também não quis se pronunciar sobre as denúncias contra o superintendente.


