Londrina - A Polícia Federal e o Ministério Público do Trabalho determinaram ontem que o Frigorífio VL Industrial, conhecido como Frigorífico Nostra, em Cambira (Região Metropolitana de Maringá), seja o responsável pelo pagamento da multa de R$ 2,4 mil a cada trabalhador paraguaio encontrado trabalhando na empresa ilegalmente. A multa será somada a outras multas administrativas que a empresa deverá arcar. A empresa foi denunciada por más condições de trabalho e de alojamento aos trabalhadores e que culminou em uma operação conjunta entre a PF e o MPT que fiscalizou a empresa na quarta-feira.
Segundo a PF, 71 paraguaios estavam trabalhando na firma sem a documentação adequada. A advogada da empresa, Cynthia Campos, no entanto, nega que todos estejam irregulares. Segundo Wellington Henriques Fernandes, responsável pela comunicação social da Polícia Federal em Maringá, o inquérito contra o frigorífico ainda não foi formalizado pelo Ministério Público do Trabalho, que ainda está fazendo um levantamento sobre a empresa.
Um auto de infração foi aplicado durante a fiscalização e foram coletados documentos do departamento de recursos humanos da empresa, que podem gerar outras notificações. Fernandes explicou que o inquérito ainda não foi instaurado porque aguarda a finalização do relatório por parte do Ministério Público do Trabalho.
Cynthia refutou as acusações de tráfico internacional de pessoas e de trabalho escravo. ''Um funcionário que trabalhava no Paraguai veio até nós em busca de emprego e acabou chamando outros colegas que trabalhavam em um frigorífico no Paraguai, mas que ficaram sem emprego em função da crise da febre aftosa que aconteceu naquele país'', explicou.
Ela acrescentou que os funcionários que estiverem dispostos a regularizar a sua situação no País poderão permanecer na empresa. ''Eles não serão deportados. Para isso montaremos uma força-tarefa para regularizar esses funcionários'', afirmou.
A reportagem telefonou para o procurador Heiler Natali, do MPT, mas o celular dele estava na caixa postal.

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