Paris, 20 (AE) - A empresa Van TX, instalada em Bale, na Suíça
recruta cobaias humanas nos países do Leste Europeu e na ex-Iugoslávia para testar substâncias ativas que são utilizadas no desenvolvimento de novos medicamentos de multinacionais da indústria farmacêutica do país.
A denúncia foi feita pelo semanário suíço Hebdo e reproduzida pelo jornal francês Le Monde. Esse tráfico está sendo denunciado como uma nova forma de "turismo farmacêutico" e envolve 12 entre as maiores empresas da indústria farmacêutica do país. Entre elas, dois nomes importantes puderam ser identificados pelo semanário suíço, os dos grupos Novartis e Roche.
A Suíça, ao contrário de França, Dinamarca e outros países europeus, não dispõe de um arsenal jurídico-legislativo de proteção das pessoas que se submetem, voluntariamente, a experiências destinadas à criação de novos medicamentos.
Segundo a denúncia, há vários meses, grupos de dez pessoas desembarcam na Suíça provenientes da Estônia, Polônia, Macedônia e outras repúblicas da ex-Iugoslávia para servir de cobaias, admitindo que lhe sejam ministradas certas substâncias ativas com o objetivo de transformá-las em novos medicamentos.
Essas cobaias humanas são atraídas pela oferta da passagem de avião, alojamento em hotel três-estrelas e honorários de 1.500 francos suíços, cerca de US$ 1 mil, três vezes mais do que o salário mínimo na Estônia, segundo revelou um estudante do próprio país que participou desse tipo de "turismo farmacêutico".
Desinformação - Ainda segundo o levantamento feito pelo jornal suíço, as pessoas recrutadas não são devidamente informadas sobre as substâncias que lhes são aplicadas.
Um responsável pela Van TX , Cornelis H. Kleinbloensen, afirma que quase todos os recrutados falam alemão ou inglês e compreendem as informações fornecidas pelo pessoal médico da empresa. De acordo com ele, todos sabem que a participação é voluntária e podem retirar-se do teste quando quiserem.
Na verdade, essa atividade não é secreta. A Organização Internacional Suíça de Medicamentos autorizou a Van TX a realizar 48 experiências em 1998 e oito este ano, mesmo reconhecendo que o fato de essas cobaias humanas serem do Leste Europeu, não tendo nacionalidade suíça, pode causar problemas.
Se a empresa não esconde sua razão social, as multinacionais do setor farmacêutico suíço mostram-se mais reticentes em revelar sua identidade. Um estudante estoniano admitiu que um sentimento de humilhação o domina quando se participa de tal experiência: "Fui tratado como um primo pobre, um tipo do Terceiro Mundo."

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