Empresa requer patente para vacina contra câncer
Agência Estado
De Porto Alegre
Uma empresa da capital gaúcha, a FK-Biotecnologia, protocolou ontem pedido de patente para uma vacina contra o câncer. A empresa é uma incubada da Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec) e o pedido foi feito junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). De acordo com informação divulgada pela Cientec, a solicitação de patente refere-se a um processo de transformação de células tumorais visando a preparação de vacina autóloga para o tratamento do câncer.
Ainda segundo o texto distribuído pela Cientec, a solicitação é pioneira no país. Adianta que trata-se de uma vacina experimental composta por células cancerosas, que funcionam como medicamentos capazes de estimular o sistema imunológico a lutar contra o câncer. A droga originou-se de estudo do oncologista e imunologista Fernando Thomé Kreutz. Atualmente, envolve uma equipe de médicos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Fundação Soad, o Departamento de Biofísica e o Centro de Biotecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).
A fundação explica que o processo biotecnológico para fabricação da vacina consiste no aumento da expressão de moléculas presentes em células tumorais, de modo a fazer com que o sistema imunológico do paciente passe a detectá-las. A substância estimula as células de defesa a atacarem apenas o tumor, poupando os tecidos saudáveis, o que a transformaria em um recurso bem menos agressivo que a terapia convencional.
A técnica é similar àquela usada para desenvolver vacinas contra os melanomas, já aplicada nos Estados Unidos e Europa. Cada vacina é preparada individualmente, com os médicos injetando no paciente células do próprio tumor. Inicialmente, através de uma pequena cirurgia, são removidas células cancerosas. Em seguida, são selecionadas, congeladas e submetidas a uma solução química. A partir daí, elas deixam de ser reconhecidas pelo sistema imunológico como integrantes do organismo e são atacadas como se fossem vírus ou bactérias. A pesquisa está sendo avaliada pelo comitê de ética do HCPA. Liberada, será imediatamente testada nos pacientes.





