Empresa realiza funeral digital
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Natalie Gott, da AP 
ST. LOUIS, EUA (AE-AP) - Lester e Dorothy Schafer escolheram uma forma high-tech de planejar seus funerais. Eles digitalizaram suas imagens para um "livro de fragmentos" a fim de serem vistos pelas demais pessoas no cemitério onde eles planejam ser enterrados. "Eu acho que funerais são ruins. Eles são tristes", diz Dorothy . "Com estas imagens, seremos lembrados de uma forma diferente".
Usando os recursos da empresa Forever Enterprises, o casal produziu uma autobiografia interativa que será acessível pelos computadores do cemitério Bellerive Heritage Gardens após suas mortes. As pessoas simplesmente tocam a tela do computador e seguem instruções sonoras. Poucos toques podem levar a imagens, sons e vídeo. De acordo com os Schafers e a companhia que produz as imagens, elas ajudarão a família a lidar com a dor.
"Quando você vê alguém que não sabia que suas mães e pais haviam feito a biografia, ela torna-se a coisa mais valiosa que eles jamais poderiam ter realizado", diz Brent Cassity, chefe executivo da Forever Enterprises, empresa localizada em St. Louis.
A empresa começou a criar as biografias digitais, chamadas de Memoriais Eternos, em 1997. Desde então, sete cemitérios no Missouri, Califórnia e Nova Jersey, incluindo dois pertencentes à empresa, já instalaram computadores. "Você assiste a uma delas e sente como se conhecesse a família". Pam Gehrs, diretor dos serviços familiares no cemitério Bellerive diz: "Uma das coisas que as famílias demonstram é o quanto ficam felizes por aqueles que se foram terem pensado nisso".
Os preços das biografias vão de US$ 600, por retratos digitalizados, até US$ 5.000, por uma completa biografia em vídeo, com imagens e som. Elas podem ser autobiográficas ou criadas por parentes a partir de imagens e sons daqueles que morreram.
Os Schafers, Dorothy tem 85 e Lester está com quase 84 anos, têm boa saúde, apesar de "cambalearmos um pouco", de acordo com Dorothy. Eles fizeram sua história para apresentar aos seus filhos e netos seus tempos de maior atividade. Por que? "Mortos não são muito divertidos", afirma Dorothy. "Eles não podem fazer nada".
O casal narrou cada foto, a começar por uma na qual Dorothy usa o vestido de noiva de sua mãe, até os dois andando de elefante em Forest Park. Lester Schafe descreve-se como "um lindo diabinho" que "todas as garotas gostavam de pegar". Isso foi em 1918, quando ele tinha quase dois anos de idade. A última foto mostra Dorothy e Lester sentados ao ar livre. "Divirtam-se com as palavras da mamãe e do papai", aconselha Dorothy aos seus filhos no filme. Então, eles se beijam. "Nós estaremos esperando por vocês, afinal, onde mais vocês poderiam ir?"
Seus filhos, considera Dorothy, sem dúvida alguma irão considerar isso uma bobagem. "Foi uma tolice", ela concorda, "mas foi muito divertido".
Brent Cassity e seu irmão, Tyler, da Forever Enterprises, foram inspirados por uma fita cassete deixada por sua avó. "Ela já havia morrido há três anos", conta Brent. "Mas foi impressionante ouvir os detalhes da sua voz, porque é o tipo de coisa de desaparece gradualmente da sua memória".
Muitos zombaram da idéia, mas os irmãos compraram uma funerária em 1998 e então outras nove. Eles as venderam no ano passado, mas mantiveram o cemitério Bellerive, o qual eles têm usado para testar os Memoriais Eternos.
Durante os anos em que eles foram proprietários das funerárias, eles fizeram mais de 8 mil vídeo biografias para seus clientes. "Nós queremos que o cemitério se torne uma biblioteca", diz Brent.
Todas as biografias realizadas antes de 1998 foram feitas em fitas de videocassete. Alguns anos atrás, os irmãos concluíram que com o tempo, as fitas iriam ficar manchadas e riscadas. Então, tiveram a idéia de fazer as biografias digitalizadas e agora planejam colocá-las também na Internet.


