Recife, 21 (AE) - A Petrobras e a Shell do Brasil assinaram hoje, no Palácio do Campo das Princesas, no Recife, o acordo que cria a empresa GNL do Nordeste Ltda, que vai construir e operar o terminal de regaiseficação de gás natural liquefeito do Porto de Suape, no município metropolitano do Cabo. O investimento será superior a US$ 200 milhões - com participação de 50% de cada uma das distribuidoras - e deve entrar em operação em 2005.
O ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, disse que o terminal vai atender o consumo doméstico e industrial do Nordeste, devendo produzir 3 milhões de metros cúbicos diários de gás numa primeira etapa, chegando a 6 milhões de metros cúbicos/dia depois de cinco anos. O terminal vai trabalhar com gás liquefeito importado - provavelmente da Nigéria - que depois de regaseificado será distribuído para as seis termelétricas que serão construídas na região (no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia).
De acordo com o ministro, o consumo de gás natural no Nordeste, hoje, é de 8 a 9 milhões de metros cúbicos/dia, mas em função dessas novas termelétricas - com previsão de funcionamento até 2003 -, deverá alcançar os 14 milhões m3/dia a partir de 2005. O consumo brasileiro atual é de 25 a 26 milhões m3/dia.
Ele afirmou que a reserva de gás natural nacional é suficiente para cinco anos, caso não ocorram novas descobertas. Daí, na sua avaliação, a importância do terminal, que irá suprir as termelétricas nordestinas através da importação do produto. As obras do terminal devem ter início no próximo ano.
Tourinho participou da solenidade ao lado do vice-presidente da República, Marco Maciel, do governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), do presidente da Shell Brasil, David Pirret, e de representante da Petrobras. Segundo o ministro, o sistema de geração, transmissão e distribuição de energia exige investimentos da ordem de R$ 8 bilhões ou R$ 8,5 bilhões/ano para suprir a demanda do País. Ele acrescentou que o governo federal só pode investir R$ 2,6 bilhões/ano, sendo necessário que a diferença seja bancada pela iniciativa privada.
Termopernambuco - Além de tornar o Estado de Pernambuco autônomo no abastecimento de gás natural, o terminal de regaseificação vai viabilizar a implantação da Termopernambuco, termelétrica estadual que vai produzir energia elétrica usando o gás natural como combustível e que tem previsão de capacidade instalada de 300 megawatts, suficiente para abastecer uma cidade de 1,5 milhão de habitantes.
A Termopernambuco deverá começar a gerar até o final de 2002, consumindo 1,2 milhão de m3 de gás por dia. Ela será operada por um produtor independente de energia. Hoje a Eletrobrás e a Chesf anunciaram o lançamento de edital de compra de energia elétrica para implementação da termelétrica, que vai representar um investimento de R$ 270 milhões só em equipamentos.

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