Rio, 27 (AE) - A empresa que instalou a central telefônica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é dirigida pelo coronel do Exército Marcelo Augusto de Moura Romeiro da Roza, irmão do presidente da Telemar Rio, Márcio Augusto Romeiro da Roza. A Telemar foi a vencedora do leilão de privatização da Tele Norte Leste e um dos sócios dela, o empresário Carlos Jereissati, foi acusado pelo ex-ministro das Comunicações e atual vice-presidente nacional do PSDB para Assuntos de Política Econômica, Luiz Carlos Mendonça de Barros, de ser o responsável pela divulgação das fitas do grampo do BNDES.
As gravações insinuavam o favorecimento do governo ao grupo Opportunity e levaram à queda do ministro. Procurado pela reportagem, o presidente da Telemar não respondeu, até o fim da tarde de hoje, ao pedido de entrevista. O coronel Marcelo, como é conhecido, também presta consultoria na área de segurança para a holding Telemar.
Ele é diretor-presidente do grupo Network Consultores Associados, que atua na área de segurança de telecomunicações, eletrônica e patrimonial. "A minha empresa presta consultoria à Telemar desde antes de o meu irmão assumir a presidência", afirmou hoje o coronel Marcelo.
O nome dele é citado no dossiê entregue pelo ex-policial federal Célio Arêas da Rocha à Justiça. No documento, em que Rocha se propõe a fazer um levantamento do esquema de escuta telefônica clandestina no Rio, o coronel Marcelo é apontado como sócio do major Divany Carvalho Barros e do coronel Otelo José Costa Ortiga na empresa de segurança Network Assessoria e Planejamento. No mesmo dossiê, o ex-policial diz que Barros é sócio do funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o "Telmo", principal suspeito pelo grampo do BNDES.
"Tive uma sociedade nessa empresa com o major Barros e o coronel Ortiga, mas isso acabou há quatro anos", disse o coronel Marcelo.
Quando no serviço ativo, ele era lotado na 2ª Seção - Setor de Informações - do então 1º Exército. Depois de desfazer a sociedade com Barros e Ortiga, abriu o grupo Network Consultores Associados. O grupo abrange três empresas: a Network
que elabora projetos de segurança, a Sabe Telecomunicações de Segurança, que atua na área de segurança eletrônica, e a Pert Engenharia e Consultoria, responsável pelo projeto e instalação da central telefônica do BNDES.
O projeto de telefonia do banco foi elaborado e implementado entre 1990 e 1992 e previa apenas ramais digitais para todos os funcionários do primeiro, segundo e terceiro escalões do banco. Ao todo, foram instalados 3 mil ramais. Na época, por medida de segurança, a empresa aconselhou o banco a não usar linhas diretas analógicas, o que não foi cumprido.
A perícia realizada pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) para o inquérito do grampo concluiu que a escuta foi posta nas quatro linhas diretas que serviam ao gabinete da presidência do banco. Mas o especialista em segurança Bechara Jalkh, chamado pelo BNDES para avaliar o sistema de telecomunicações do banco depois do grampo, encontrou vestígios de uma escuta no aparelho de ramal da presidência. Isso só seria possível a quem tivesse acesso direto ao gabinete.
"Na minha opinião, o grampo só pode ter sido colocado numa das 234 linhas analógicas e não nas de ramal", disse coronel Marcelo. Na avaliação dele, o grampo também não teria sido feito na antiga empresa Telecomunicações do Rio de Janeiro (Telerj), mas em qualquer ponto acessível da rua. O coronel Marcelo é apontado pelo ex-diretor do Centro de Inteligência de Segurança Pública (Cisp) da Secretaria de Segurança do Estado do Rio coronel Romeu Antônio Ferreira como "um dos bons da área de inteligência".
Segundo o coronel Marcelo, o grupo presta serviços de segurança a grandes empresas. Ele começou a trabalhar na área depois de sofrer um acidente, em 1986, que o deixou tetraplégico.

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