Empresa que fornecia alimentação para hospitais é interditada
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Adriana De Cunto e Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba - Uma empresa de Curitiba que produz nutrição parenteral foi interditada depois da suspeita que produtos vendidos a hospitais estavam contaminados e provocaram problemas em pacientes. As autoridades também investigam as mortes de seis doentes que estavam internados e receberam a alimentação.
As secretarias de Saúde de Curitiba e do Estado do Paraná convocaram uma entrevista coletiva na manhã de ontem para esclarecer a situação. A nutrição parenteral é a alimentação intravenosa administrada a pacientes que não podem utilizar a alimentação convencional. O produto, fabricado pela Nutro - Soluções Nutritivas, foi distribuído a 13 hospitais públicos e particulares de Curitiba e do interior do Paraná e para serviços de saúde dos Estados de São Paulo e Santa Catarina.
Segundo as autoridades de saúde do Estado e do município, os lotes suspeitos foram utilizados entre os dias 12 e 14 de novembro. Os primeiros casos foram notificados à Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba no final da tarde da última quinta-feira.
Luiz Armando Erthal, diretor do Centro de Saúde Ambiental da Secretária de Saúde de Curitiba, a empresa foi avisada da possível contaminação pelo Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), uma das instituições que consumiu o produto. Logo a seguir, a fabricante avisou os clientes e as vigilâncias sanitárias de Curitiba e do Paraná.
"O que levou os hospitais a suspeitarem da nutrição foi a piora do estado geral de alguns pacientes que utilizaram a alimentação e a análise de amostras pelo controle de qualidade da empresa, que apresentou indícios de contaminação", afirmou o superintendente de Vigilância em Saúde do Estado, Sezifredo Paz.
Ao todo, cerca de 80 pacientes receberam a nutrição parenteral desta empresa nos dias informados. Destes, 20 apresentaram agravamento no quadro clínico e seis são suspeitos de morrerem em decorrência da contaminação. As mortes que estão sendo investigadas aconteceram no Paraná, sendo três em Curitiba, duas em Campo Largo e uma em Francisco Beltrão.
O superintendente esclarece que os pacientes que precisam deste tipo de nutrição estão recebendo produtos de outras empresas. "O produto suspeito não está mais sendo utilizado. Toda a produção, que é diária e receitada individualmente para cada paciente, já foi retirada do mercado e dos serviços de saúde", explicou.
Os pacientes com suspeita de contaminação estão sendo monitorados pelos hospitais e pelas equipes da vigilância do Estado e dos municípios. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as vigilâncias dos outros dois Estados foram informados.
De acordo com o médico infectologista Moacir Pires Ramos, quando uma bactéria é introduzida na veia do paciente pode causar a piora do estado geral e febre. A bactéria Pantoeaagglomerans, identificada pelos hospitais nos produtos da Nutro, também foi identificada pelo departamento de controle de qualidade da empresa. Segundo Ramos, esse tipo de bactéria normalmente vive no intestino de pessoas e animais, mas se torna perigoso quando cai na corrente sanguínea. Ele lembrou que os pacientes que receberam a nutrição parenteral já tinham casos clínicos graves, portanto não é possível dizer que a alimentação foi o fator determinante para as mortes suspeitas.
Amostras de materiais estão sendo recolhidas na empresa, que está com sua produção suspensa. "Foram verificadas as condições de fabricação, matéria-prima, processo de trabalho, utilização da água, processo de limpeza, situação do pessoal para buscar a possível causa dessa contaminação", afirma Erthal.
As análises serão feitas pelo Laboratório Central do Estado (Lacen) do Paraná, em parceria com o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde da FioCruz, localizado no Rio de Janeiro. Não há prazo para conclusão das investigações. Caso fique confirmada a contaminação, a empresa poderá sofrer sanções na área administrativa e criminal.
Cristina Martins, uma das diretoras da empresa Nutro Soluções Nutritivas, com sede na capital, informou que a produção permanecerá interditada até que seja descoberta a fonte da contaminação das bolsas parenterais. Segundo ela, um controle de qualidade dos produtos é realizado diariamente e, quando o laboratório da empresa detectou o problema, no último dia 14, a produção foi suspensa temporariamente e as autoridades responsáveis foram informadas para tomarem as providências necessárias.
Hospitais do Paraná, Santa Catarina e São Paulo receberam produtos suspeitos de contaminação
Curitiba e Região Metropolitana:
Hospital de Clínicas (HC) da UFPR/Curitiba
Hospital Pequeno Príncipe/Curitiba
Hospital do Trabalhador/Curitiba
Hospital Nossa Senhora do Pilar/Curitiba
Hospital Infantil de Campo Largo/RMC
Maternidade São José dos Pinhais/RMC
Litoral e interior do Paraná:
Hospital Costa Cavalcanti/Foz do Iguaçu
Hospital Regional do Norte Pioneiro/Santo Antônio da Platina
Santa Casa de Campo Mourão/Campo Mourão
Hospital São Lucas /Cascavel
Policlínica Pato Branco/Pato Branco
Hospital Regional do Sudoeste/Francisco Beltrão
Hospital Regional do Litoral/Paranaguá
Santa Catarina
Hospital Infantil Seara do Bem/Lages
Hospital de Balneário Camboriú
São Paulo
Hospital Consaúde/Itanhaém
Hospital Consaúde/Pariquera-Açu
Fonte: Secretaria Estadual de Saúde


