São Paulo, 17 (AE) - A empresa Plena Saúde, que fornecia uma ambulância para uso da vereadora de São Paulo Maeli Vergniano (sem partido), presta serviço ao PAS de Pirituba, situado na região controlada politicamente pela vereadora. A informação foi dada hoje à CPI dos Fiscais pela Plena Saúde, atendendo a um ofício do vereador Dalton Silvano (PSDB).
O veículo era dirigido por Josué Libório Pereira, funcionário da Anhembi Turismo, por indicação de Maeli, mas que trabalhava para a vereadora. Além de Pereira, outros dois funcionários indicados pela vereadora eram "fantasmas" na Anhembi.
De acordo com o contrato enviado pelo diretor da Plena, José Luiz Ranieri, a empresa faz exames de tomografia computadorizada, ultrassonografia, endoscopia, ecocardiografia, desintometria óssea e urografia para a Cooperativa de Profissionais de Saúde 8 (Cooperpas 8), que atende o módulo de Pirituba. O contrato, ainda em vigor, foi firmado em 1.º de abril de 1996. Na sétima cláusula, há uma observação de que a prestação de serviços pela Plena é por tempo indeterminado.
Assinam o contrato pelo PAS o presidente e a vice-presidente da Cooperpas 8, Sérgio Antônio do Valle Zawitoski e Vera Lúcia Gordilho Martinho.
O vereador Dalton Silvano considerou a revelação grave e afirmou que as informações que havia pedido não foram fornecidas por completo. "Pretendo saber os valores deste contrato."A ambulância cedida pela Plena Saúde era utilizada para "seviços sociais" da vereadora, como transporte de doentes e encaminhamentos a hospitais. O veículo foi fotografado em 16 de abril na garagem de um templo da Igreja Assembléia de Deus, da qual a vereadora é integrante, além de filha do presidente estadual. No carro, aparecem pintados os nomes da vereadora e da Plena Saúde.
Ameaças - Maeli não foi localizada hoje para comentar o fato. Durante a sessão da CPI ela apresentou ofício em que afirmava estar sendo ameaçada de morte, por meio de telefonemas, há cerca de um mês. Hoje um desses telefonemas teria sido feito ao gabinete da vereadora, permitindo que funcionários copiassem parte do número do telefone do autor da ameaça. Maeli pretendia registrar o caso na polícia, mas solicitou ao presidente da CPI, José Eduardo Martins Cardozo (PT), que intercedesse na Secretaria de Segurança Pública do Estado para que lhe fosse garantida proteção.
No inquérito conduzido pela Polícia Civil, Maeli foi indiciada por peculato e formação de quadrilha. Ela usava carro, motorista e combustível cedidos pela empresa Vega Engenharia Ambiental (que trabalha para a AR-Pirituba, controlada pela vereadora) para levar os três filhos ao colégio. Além disso, Maeli é investigada no inquérito policial sobre a existência de funcionários fantasmas na Anhembi. A CPI dos Fiscais também apura a contratação da cozinheira particular da vereadora como funcionária de seu gabinete e da cunhada de Maeli, Dorcas Magliarelli, que mora e trabalha em Botucatu, no interior, como chefe de gabinete.
Hoje estava previsto o depoimento na CPI do marido de Maeli, Josué Magliarelli. Ele é apontado como o verdadeiro regional de Pirituba, durante a gestão do irmão de Maeli, Márcio Vergniano. Além disso, Josué Magliarelli exerceu a função de fiscalizador do trabalho da Vega na coleta de lixo da região de Pirituba. Na avaliação do Tribunal de Contas do Município (TCM), a Vega não prestava o serviço de acordo com o contrato.

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