São Paulo, 09 (AE) - A empresa paulista Barramar está investindo US$ 650 milhões no triênio até 2001 para fazer o cabeamento ótico de 16.347 quilômetros de estradas em todo o Brasil. O retorno do investimento só deve começar num prazo de três ou quatro anos, segundo o diretor-geral da Barramar, Paulo Borges. A rede da Barramar vai concorrer em dimensão com a da Embratel, a maior do País, com pouco mais de 20 mil quilômetros.
A Barramar é uma empresa com dez anos de existência que atendia, até o ano passado, o mercado de telecomunicações, com a instalação de sites da telefonia celular, por exemplo. A empresa se mantém na área de infra-estrutura, sem direito a operar telecomunicações, mas mudou a atividade principal desde o final de 1998 para a construção de redes de cabos óticos em rodovias privatizadas. O primeiro contrato foi com a Viaoeste, concessionária da Castello Branco, Castelinho e Raposo Tavares.
"A intenção inicial era nos fixarmos em São Paulo", disse Borges. Mas as necessidades de clientes da área de telecomunicações e das concessionárias levaram a Barramar a firmar contratos em outras regiões do País. A empresa está concluindo projetos de cabeamento das rodovias federais 040, que liga Brasília a Rio de Janeiro e São Paulo, e 050, de Belo Horizonte a Campinas. As obras terão início em janeiro.
Até março do ano 2000, a Barramar vai concluir a construção de pouco mais de 5 mil quilômetros de redes, sendo que já estão prontos 2,6 mil quilômetros no Estado de São Paulo. Outros 9,6 mil quilômetros estão programados para maio de 2001, e dois mil quilômetros até 2002. Os investimentos este ano foram de US$ 200 milhões. O pico será no ano 2000, com US$ 300 milhões
e mais US$ 150 milhões em 2001.
"A receita da empresa agora é quase nada", disse Borges. A Barramar firmou até o momento 12 contratos com operadoras de TV a cabo, redes corporativas e outros prestadores de serviços de telecomunicações, mas argumenta que uma cláusula de confidencialidade impede a divulgação dos nomes das empresas. "Elas gostam de dizer que possuem a rede", comentou Borges.
Alguns dos clientes começarão a explorar a rede a partir de dezembro. Nas rodovias Bandeirantes e Anhanguera, administradas pela concessionária Autoban, já foram fechados seis contratos e as obras ainda nem foram concluídas. A Barramar estará construindo 89 quilômetros de redes na Bandeirantes e outros 145 quilômetros na Anhaguera até o mês que vem.
Um backbone será destinado ao projeto de rodovia inteligente da Autoban. A Barramar terá 14 subdutos, cada um com um cabo de até 400 fibras. O cliente contrata um subduto com exclusividade, mas alguns preferem duplicar a capacidade para garantir redundância. A expectativa da Barramar é ter capacidade de atender todos os interessados pelos próximos 20 anos.
A empresa tem apenas 78 funcionários, numa estrutura enxuta, e com orgulho de ser nacional. "Não somos uma multinacional, mas uma muito nacional", diz Borges. Hoje, a Barramar subcontrata 3.200 homens nas frentes de trabalho, sem contar o pessoal de apoio. Cada frente de trabalho, com oito a dez homens, faz o cabeamento de quatro quilômetros.

mockup