Empresa faz teste para evitar transgênico
Vânia Casado
De Curitiba
As empresas européias que compram matéria-prima derivada da soja no Paraná já começaram a pedir exames de rastreabilidade para identificar a soja transgênica. A primeira indústria a admitir a rastreabilidade é a Imcopa Indústria de Importação e Exportação de Óleos Ltda, que compra soja em todas as regiões do Estado e depois processa na indústria em Araucária. O cliente europeu que compra lecitina de soja da Imcopa exigiu que se fizessem os testes para rastrear se havia a incorporação de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) no produto exportado.
Com a insistência de produtores do Rio Grande do Sul em plantar a soja transgênica, as empresas européias estão se voltando para adquirir a produção paranaense, concorda o gerente comercial da Imcopa, Edson Scarpim. No Paraná, felizmente nada de anormal foi encontrado, respondeu. Foram feitos 220 testes nas lavouras da safra 99/2000, implantadas recentemente, com kits de identificação de material transgênico, importado dos Estados Unidos.
Os testes foram feitos nas sementes utilizadas e que ainda seriam utilizadas e nas folhas das plantas que germinaram mais cedo. A coleta de material ocorreu em todas as regiões do Paraná. Os testes foram feitos por uma empresa de consultoria independepente, contratata pelo cliente da Europa e com acompanhamento de um funcionário da Imcopa. Entre os meses de janeiro e fevereiro será feito um novo teste, desta vez, com as folhas das plantas em pleno desenvolvimento, para garantia da certificação. A primeira fase dos testes foi custeada pelo cliente europeu, já a segunda fase será bancada pela Imcopa, que vai enviar seus funcionários.
A empresa quer se garantir que não está utilizando material transgênico para se prevenir contra qualquer processo internacional. Scarpim explicou que o plantio de soja transgênica ainda é proibido no país e as empresas exportadoras ficam vulneráveis a processos internacionais, caso utilizem matéria prima não reconhecida pela legislação brasileira.
O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Abrasoja), José de Barros França, não acredita que tenha plantio de soja transgênica no Paraná como ocorre no Rio Grande do Sul. A proliferação ocorreu no Sul do país porque as condições de clima e solo são semelhantes com a região Norte da Argentina, para onde foi desenvolvido. Para o Paraná, as condições são diferentes e o material desenvolvido para a Argentina tem dificuldades de adaptação aqui no Estado, declarou.
Para o pesquisador da área de Biotecnologia da Embrapa-Soja, Ricardo Vilela Abdel Nor, o pedido de rastreamento da produção de soja por clientes da Europa não surpreende. E a tendência é que os pedidos de rastreabilidade tendem a crescer nos Estados produtores de soja. A empresa gaúcha Frangosul, uma das maiores exportadoras de aves para a Europa, vai começar a emitir a certificação de que as aves não foram alimentadas com farelo de soja, oriundo de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), a partir do ano que vem.
Os kits utilizados nos testes são específicos para identificar a soja transgênica resistente ao herbicida Roundup Ready, material proibido no país. O reagente utilizado contém anticorpos que reconhecem a proteína que dá resistência ao herbicida, explica Abdel Nor.





