Empresa do Paraná é alvo de polêmica em Santa Catarina
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Diego Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma empresa paranaense está sendo alvo de polêmicas em Santa Catarina em razão da construção de uma hidrelétrica no Rio Chapecó. Parte da população de Aberlado Luz, oeste do estado vizinho, vem protestando contra a empresa de União da Vitória GR Extração de Areia e Transporte Rodoviário, também chamada de Verde Vale, que pretende construir a Usina Hidrelétrica do Túnel. Entre os sócios da empresa, está o deputado federal Airton Roveda (PR).
No Rio Chapecó, estão as Sete Quedas de Abelardo Luz. Já o investimento do projeto beira os R$ 115 milhões. O argumento de alguns moradores da região é que a construção será acima das quedas e inserirá um túnel submerso, o que poderia diminuir a vazão do rio e estragar o espetáculo das águas.
No último dia 25 de agosto, quando ocorreu a apresentação do projeto pelos técnicos da empresa à população local, foi entregue um abaixo-assinado com mais de 2.500 assinaturas contrárias a construção. Uma associação chamada Amigos das Quedas tem defendido que a hidrelétrica seja construída abaixo das quedas. Estamos com medo que essa usina possa acabar com essa beleza natural, afirmou Fabrício Stefanis, empresário, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Abelardo Luz e integrante dos Amigos das Quedas.
Para Stefanis, existe a alternativa de construir a usina abaixo das quedas, o que seria bom para todas as partes. O município não perde em nada na geração de energia, mas perderia muito com a destruição das quedas, diz.
Segundo o biólogo e especialista em gestão ambiental, Milton Carlos de Filtro, o problema na construção colocaria em risco uma espécie de peixe que existe apenas no Rio Chapecó. Outro animal que correria risco é o Crenicichla Emtheres, um tipo de joaninha, que também só existe na área próxima das quedas.
Filtro também explicou que a usina necessitaria de 30 metros cúbicos por segundo para gerar em média 15MW, utilizando 40,8% da vazão do rio Chapecó. A geração máxima estipulada seria de 28,3 MW. Para tanto, conforme o biólogo, seriam necessários 40 m3/s, o que corresponde a 70% da vazão média do rio. A suposta perda da vazão prejudicaria o cenário das quedas, principal atrativo turístico da região.


