Cu­ri­ti­ba - Uma em­pre­sa pa­ra­naen­se es­tá sen­do al­vo de po­lê­mi­cas em San­ta Ca­ta­ri­na em ra­zão da cons­tru­ção de uma hi­dre­lé­tri­ca no Rio Cha­pe­có. Par­te da po­pu­la­ção de Aber­la­do Luz, oes­te do es­ta­do vi­zi­nho, vem pro­tes­tan­do con­tra a em­pre­sa de ­União da Vi­tó­ria GR Ex­tra­ção de ­Areia e Trans­por­te Ro­do­viá­rio, tam­bém cha­ma­da de Ver­de Va­le, que pre­ten­de cons­truir a Usi­na Hi­dre­lé­tri­ca do Tú­nel. En­tre os só­cios da em­pre­sa, es­tá o de­pu­ta­do fe­de­ral Air­ton Ro­ve­da (PR).
  No Rio Cha­pe­có, es­tão as Se­te Que­das de Abe­lar­do Luz. Já o in­ves­ti­men­to do pro­je­to bei­ra os R$ 115 mi­lhões. O ar­gu­men­to de al­guns mo­ra­do­res da re­gião é que a cons­tru­ção se­rá aci­ma das que­das e in­se­ri­rá um tú­nel sub­mer­so, o que po­de­ria di­mi­nuir a va­zão do rio e es­tra­gar o es­pe­tá­cu­lo das ­águas.
  No úl­ti­mo dia 25 de agos­to, quan­do ocor­reu a apre­sen­ta­ção do pro­je­to pe­los téc­ni­cos da em­pre­sa à po­pu­la­ção lo­cal, foi en­tre­gue um abai­xo-as­si­na­do com ­mais de 2.500 as­si­na­tu­ras con­trá­rias a cons­tru­ção. Uma as­so­cia­ção cha­ma­da ‘‘Ami­gos das ­Quedas’’ tem de­fen­di­do que a hi­dre­lé­tri­ca se­ja cons­truí­da abai­xo das que­das. ‘‘Es­ta­mos com me­do que es­sa usi­na pos­sa aca­bar com es­sa be­le­za ­natural’’, afir­mou Fa­brí­cio Ste­fa­nis, em­pre­sá­rio, pre­si­den­te do Sin­di­ca­to dos Pro­du­to­res Ru­rais de Abe­lar­do Luz e in­te­gran­te dos ‘‘Ami­gos das ­Quedas’’.
  Pa­ra Ste­fa­nis, exis­te a al­ter­na­ti­va de cons­truir a usi­na abai­xo das que­das, o que se­ria bom pa­ra to­das as par­tes. ‘‘O mu­ni­cí­pio não per­de em na­da na ge­ra­ção de ener­gia, mas per­de­ria mui­to com a des­trui­ção das ­quedas’’, diz.
  Se­gun­do o bió­lo­go e es­pe­cia­lis­ta em ges­tão am­bien­tal, Mil­ton Car­los de Fil­tro, o pro­ble­ma na cons­tru­ção co­lo­ca­ria em ris­co uma es­pé­cie de pei­xe que exis­te ape­nas no Rio Cha­pe­có. Ou­tro ani­mal que cor­re­ria ris­co é o Cre­ni­cich­la Em­the­res, um ti­po de joa­ni­nha, que tam­bém só exis­te na ­área pró­xi­ma das que­das.
  Fil­tro tam­bém ex­pli­cou que a usi­na ne­ces­si­ta­ria de 30 me­tros cú­bi­cos por se­gun­do pa­ra ge­rar em mé­dia 15MW, uti­li­zan­do 40,8% da va­zão do rio Cha­pe­có. A ge­ra­ção má­xi­ma es­ti­pu­la­da se­ria de 28,3 MW. Pa­ra tan­to, con­for­me o bió­lo­go, se­riam ne­ces­sá­rios 40 m3/s, o que cor­res­pon­de a 70% da va­zão mé­dia do rio. A su­pos­ta per­da da va­zão pre­ju­di­ca­ria o ce­ná­rio das que­das, prin­ci­pal atra­ti­vo tu­rís­ti­co da re­gião.

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