Empresa de segurança tem autorização cassada
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de maio de 2008
Ellen Taborda<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A empresa de segurança privada Centronic teve a autorização de funcionamento cassada ontem pela Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP), em Brasília. A medida tinha sido solicitada pela Polícia Federal (PF), que encontrou irregularidades em fiscalização feita após o assassinato do estudante Bruno Strobel Coelho, em outubro do ano passado, em Curitiba.
A cassação foi motivada por duas autuações feitas pela PF. De acordo com o delegado da Polícia Federal no Paraná, Marco Antonio Ribeiro Coura, chefe da Delegacia de Controle de Segurança Privada, uma delas foi pelo assassinato de Bruno, cometido por seguranças da Centronic, com a utilização da sede e de veículos da empresa. A segunda autuação teve base nas imagens de tortura contra dois outros rapazes registradas em um celular de um dos seguranças.
Segundo o delegado, a cassação do registro não paralisa de imediato as atividades da Centronic. Assim que a decisão da CCASP sair no Diário Oficial da União a empresa ainda pode recorrer à PF e também ao Ministério da Justiça.
Mesmo que a decisão seja mantida pelo ministério, o grupo da Centronic não deixará de atuar no mercado, segundo o presidente da Federação dos Vigilantes do Paraná, João Soares. De acordo com ele, uma outra empresa de segurança dos mesmos donos, Segline, já estaria operando no Estado. É para essa empresa que devem ser remanejados os funcionários da Centronic, em caso de fechamento, acredita Soares. ''Infelizmente, a legislação, que é de 1983, permite esse procedimento. É preciso fazer mudanças na lei'', afirmou o sindicalista.
A Centronic informou, em nota oficial, que ainda não foi notificada oficialmente da decisão da CCASP e que deverá recorrer. ''Esgotadas as vias administrativas, pretende fazer uso de seu direito constitucional à ampla revisão judicial onde interporá todos os processos, medidas e recursos cabíveis até as mais altas instâncias no sentido de assegurar seu direito ao exercício de sua atividade'', continua a nota. Os representantes da Centronic não foram localizados para comentar a existência da outra empresa do grupo.


