São Paulo, 03 (AE) - A empresa de courier Quality Plus Air Courier, com sede no Rio de Janeiro e franquias em 10 Estados, é uma das primeiras companhias nacionais de entrega de encomendas e pequenos volumes a investir na Internet. No mês de janeiro, a QP Air teve aumento de 30% no seu movimento, em relação ao mesmo mês de 99. "Muitos clientes nos descobriram pela rede", conta o presidente da empresa, José Luís Prada Carelli. De acordo com ele, o site (www.qpair.com.br) foi um dos motivos para que a firma aumentasse em 15% o faturamento de 98 para 99, apesar do susto com a desvalorização do real e da economia em recessão.
A QP Air envia encomendas urgentes no Brasil e no Exterior em até 24 horas e faz entregas porta a porta. A empresa representa no Brasil a Transexpress de Miami (EUA) e tem representantes também no Uruguai e Chile. Para trazer um volume dos EUA, a QP Air cobra US$ 8 o quilo. No Brasil, cobra R$ 24 para entregar encomendas de até 3 quilos em até 24 horas, de segunda a sexta. A tarifa está em paridade com outras empresas de entrega rápida e segura, como a americana Federal Express.
Prada Carelli fechou negócio recentemente com um cliente da Coréia do Sul que descobriu seus serviços na Internet, acessando o site. A QP Air foi fundada em 1995 por Prada Carelli, que é comandante da Varig e até hoje pilota aviões DC-10 em vôos internacionais. A empresa tem endereço na Internet desde dezembro de 98.
Através do site, o cliente pode fazer o pedido de encomendas on line e acompanhar a carga enviada pela rede. A pessoa recebe um código da QP Air e basta digitá-lo para localizar sua carga. Para pedir a coleta de uma encomenda, o usuário preenche um formulário com dados da carga (tamanho, peso, etc) e o envia pela rede.
O presidente diz que a empresa continua investindo na melhoria do site e está em negociação com provedores para conseguir mais inserções. A QP Air tem atualmente 80 clientes no País. "Começamos em 95 com apenas 10", conta ele. Segundo ele, a meta para este ano é aumentar o faturamento da empresa em 50%. "Pretendemos triplicar o movimento em dois anos", declara. "Para isso, esperamos que a economia recomece a crescer e que aumente cada vez mais a utilização do e-commerce".
Miami - Um dos serviços que a QP Air oferece, em parceria com a Transexpress, é a manutenção de uma caixa postal em Miami, cobrando US$ 75 por ano. O serviço é voltado para empresas e pessoas que exportam ou importam produtos por catálogo ou pelo computador. Usando seu próprio endereço nos EUA, o cliente pode encomendar artigos de até 250 quilos e enviar encomendas e correspondências do Brasil para lá, pagando US$ 8 por quilo.
O contrato da caixa postal americana está no site da QP Air na Internet. Ao acessá-lo, o usuário pode ler os catálogos de vários estabelecimentos americanos. Entre eles, a loja de brinquedos Fao Schwarz, a de artigos esportivos Tennis Company ou a de informática Jameco.
Courier - Prada Carelli afirma que as empresas de courier no Brasil sofrem com os entraves burocráticos criados para evitar contrabando. Para conseguir entregar uma encomenda, a empresa também enfrenta grandes problemas de infra-estrutura de transporte e de telefonia. Mesmo assim, segundo ele, a QP Air consegue manter um índice de 1,5 "perdimentos" em 100 pedidos. Ou seja, 1,5 encomendas entre 100 chegam com atraso na mão do cliente, um número considerado baixo. "Já perdi clientes porque atrasei meia hora para entregar um documento", conta o comandante.
Para evitar atrasos, a empresa faz uso de todos os modos de transporte possíveis. Além de aviões, utiliza principalmente motos e utilitários. "Se precisar, meu funcionário vai de bicicleta e até skate", diz Prada Carelli.
O presidente da QP Air está preocupado com a aprovação da nova lei postal, em discussão no Congresso, que pode criar monopólio para o Estado nas entregas de volumes pequenos. Ou seja, boa parte do trabalho das empresas de courier seria feito obrigatoriamente pelo Correio. "Isso seria voltar para o sistema comunista", critica Prada Carelli. "O Brasil não pode ir na contra-mão do comércio globalizado". Ele duvida, porém, que a restrição seja aprovada.