Empresa de certificação digital ainda espera lucros
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segunda-feira, 30 de agosto de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 31 (AE) - A única empresa da América Latina especializada em assinatura eletrônica, a brasileira Certisign chegou três anos antes de o mercado estar preparado para essa tecnologia. Pelo menos é essa a avaliação do presidente da Certisign, Marcio Libermaun, que espera começar a ter lucros a partir do ano 2001.
"O lucro na Internet é que nem a tecnologia: inevitável", afirmou. "A questão é a paciência de saber que ele virá", disse. Libermaun é um economista com especialização em marketing, que se lançou no mercado de Internet com a criação do Supermail, hoje o Cadê Você, maior catálogo de e-mails do País.
Desde 1997, quando chegou ao mercado, a Certisign já investiu cerca de US$ 4 milhões em desenvolvimento de software e infra-estrutura de segurança, como salas-cofre e campo de contenção eletromagnético.
A Certisign é uma autoridade certificadora, o novo cartório do mundo virtual. A empresa tem tecnologia para comprovar que prestadores de serviços e usuários da rede são de fato quem eles dizem que são. Para tanto, é usada uma solução de chaves criptografadas que só podem ser lidas pela outra parte na transação comercial.
O mercado que mais cresce para a Certisign, no momento, é o de certificação de servidores de instituições bancárias. De julho para cá, a Certisign vem registrando um crescimento de 25% a 30% nos pedidos, enquanto essa taxa era de 8% em dezembro do ano passado.
A importância desse serviço, segundo Libermaun, reside na expansão do Internet Banking, o acesso a banco via Internet. Ele relatou que as maiores agências do Banco do Brasil e do Bradesco já são as da Internet. "O Itaú está caminhando para isso", afirmou. O perigo para o correntista existe. Um hacker, pirata da Internet, pode clonar o site de um banco, capturar a senha de um usuário que o acesse e depois derrubar a conexão. De posse da senha, o estrago na conta do internauta pode ser grande.
Na outra ponta, existem os riscos que correm os bancos. Um correntista pode sempre alegar que não fez uma ou outra transação pela Internet, e o banco não tem como verificar se a senha foi mesmo utilizada por um terceiro. A lei de defesa do consumidor protege o correntista.
"É enorme o número de rombos", disse Libermaun. "Os bancos estão correndo muito para certificar os usuários", completou. "É a única maneira de garantir que esta pessoa é esta pessoa". No futuro, aposta o presidente da Certisign, todo correntista terá uma identidade digital inviolável.
O Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) é o primeiro no Brasil a contratar a certificação dos seus 12 mil clientes da agência virtual. Libermaun explicou que parece um número pequeno de usuários, quando comparado com o 1,2 milhão do Bradesco, 770 mil do Banco do Brasil e 600 mil do Itaú, mas é um projeto das dimensões do piloto realizado com o Bank Boston, nos Estados Unidos. O capital da Certisign é composto por 51% da Netspace, 29% do próprio Libermaun e 20% da Megadata, do grupo Ibope.


