Empresa de autopeças deixa Argentina e muda-se para o Brasil
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 29 (AE) - Uma das principais empresas de autopeças do país, a Delphi Automotive Systems, decidiu seguir o êxodo de companhias argentinas para o Brasil, e está de malas prontas para a mudança: acaba de anunciar que fecha sua fábrica de cabos elétricos na cidade de Rio Segundo, na província de Córdoba.
A Delphi parte para o Brasil esperando ter no novo país maiores estímulos industriais e um mercado mais amplo. Ao longo deste ano, Córdoba teve a maior queda na produção automotiva no país: 46%, em relação 1998, ou seja, 6% de redução a mais do que a média nacional. O êxodo de indústrias argentinas ao Brasil preocupa políticos e entidades empresariais que estão pedindo ao governo medidas para evitá-lo.
Segundo um comunicado de Scott Graham, diretor de operações para a América do Sul da Delphi Packard Electric Sistems, a decisão foi tomada levando em conta "o atual clima e panorama econômico na Argentina". A intenção da empresa seria a de trasladar-se a Belo Horizonte.
Instalada na cidade de Rio Segundo, província de Córdoba, a Delphi empregava 400 pessoas e era a principal fonte de empregos da região. Os operários ocuparam a empresa de forma pacífica, esperando uma solução para sua situação. Como paliativo, a empresa anunciou que a partida definitiva seria daqui a quatro meses.
O SMATA, sindicato dos trabalhadores da indústria automotiva, afirmou que a Delphi alegou que sua estrutura estava planificada para a produção de peças para abastecer 600 veículos diariamente
e que nos últimos meses havia sido reduzida para somente 200. A Delphi fabricava cabos elétricos para os Fiat Siena e Palio.
Além da mudança da Delphi, um rumor está abalando Córdoba mais ainda. A fábrica de caminhões Iveco estaria planejando sua mudança ao Brasil.
Há poucos dias, em declarações à imprensa espanhola, o presidente da Iveco, Giancarlo Boschetti criticou o governo. "A Argentina é um desastre. A atitude do governo de ligar o peso ao dólar está matando a economia, que está perdendo competitividade de forma terrível."
Além disso, afirmou que "se em dois ou três meses a situação não mudar neste país, em vez de ampliar a fábrica de Córdoba, como havíamos planejado, investiremos e fabricaremos caminhões no Brasil".
No entanto, logo em seguida, executivos da mesma empresa desmentiram as afirmações de Boschetti, sustentando que não existe nenhuma possibilidade de que a empresa feche a fábrica de Córdoba ou se traslade ao Brasil. O diretor-geral da Iveco, Jorge García, afirmou que, como empresários, não podem pedir a desvalorização, mas que o governo teria de possibilitar "instrumentos que gerem uma recuperação da competitividade".
Desde que a desvalorização do real tornou o Brasil mais competitivo, diversas empresas argentinas decidiram mudar-se ao principal parceiro do Mercosul, em procura de um apoio que aqui não recebem. Este ano mudaram-se ao Brasil 30 empresas argentinas, das quais 20 são de auto-peças.
O êxodo industrial ao Brasil foi o motivo, no fim do dia de hoje, de uma reunião entre o presidente Fernando De la Rúa e os governadores das três principais províncias do país: Carlos Ruckauf (Buenos Aires), José De la Sota (Córdoba) e Carlos Reutemann (Santa Fe). Deputados destas províncias se reunirão depois de amanhã com o chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini.


