São Paulo, 11 (AE) - São US$ 21 milhões que a Emege Produtos Alimentícios S/A está investindo em ampliação de fábrica e construção de um moinho de trigo, além de marketing e lançamento de produto. A empresa, com 100% de capital italiano e líder de massas secas na região Centro-Oeste, pretende consolidar e ampliar sua participação, que é de 40% atualmente. A primeira parcela do investimento, de US$ 12 milhões, foi absorvida na construção do moinho em Goiânia, com uma capacidade mensal de produção de 18 mil toneladas/mês, recém-inaugurado.
Outros US$ 7 milhões serão gastos na ampliação da indústria que produz massas secas. O investimento permitirá à Emege quase dobrar a fabricação de massas. O início da obra está previsto para o final deste ano passando a operar em meados de 2000.
"A produção hoje de 2.500 toneladas mês deverá saltar para 4.000 toneladas mês", afirma Cláudio Zanão, diretor-geral. No princípio deste ano, a goiana gastou mais U$ 500 mil no desenvolvimento e lançamento do primeiro grano duro, o Gourmet Fashion. Ao longo do ano, destinará mais US$ 1,5 milhão em markting ao produto.
Nem bem chegou no mercado, o Gourmet já começa a ser exportado para a Flórida (EUA). "O primeiro embarque leva 50 toneladas", afirma Zanão. É a primeira vez que a empresa vende seu produto para o exterior.
Vendas - Zanão projeta vendas 40% superiores neste ano sobre o anterior. "A intenção é acompanhar a tendência de mercado e passar a fabricar produtos de maior valor agregado daqui para frente", afirma. O faturamento que atingiu R$ 65 milhões em 1998 deve fechar o ano em R$ 90 milhões.
O crescimento se explica pela ampliação de mercado. A marca Emege até então presente apenas na região Centro- Oeste ganha novos consumidores. Em maio, a Emege começou a distribuir seus produtos na Grande São Paulo, o que a levou a abrir um escritório na capital paulista. "Pensando em expandir as vendas construiremos a nova fábrica", afirma.
Mercado - A produção física global de massas secas deverá crescer cerca de 10% neste ano sobre 1998, beirando 1.007 toneladas. A receita tende a chegar em R$ 1,6 bilhão. As 200 indústrias do setor produziram 920 mil toneladas de massas e faturaram US$ 1,5 bilhão no ano passado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Massas (Abima).
Na opinião de Dácio Pozzi, presidente da Canale do Brasil, ainda há no País alguns nichos com grande potencial de mercado. Uma forte tendência entre as empresas do setor é investir no lançamento de produtos instantâneos, de porções individuais. "A estratégia é partir para os alimentos de preparo rápido, que facilitem o dia a dia do consumidor", diz.
Canale - Com apenas quatro anos de atuação no Brasil, a Canale, que é controlada pelo Grupo Macri (da Argentina), é líder em vendas. Recentemente, a empresa adquiriu a Basilar, a Zabet, a Isabela e a Adria. Com isso, totalizou 16% de participação - uma fração expressiva, tendo em vista um mercado pulverizado como o de macarrão.
"Com uma presença maciça em várias regiões, a nossa meta é aumentar o faturamento em quase 70%, até 2002", completa Pozzi. Apesar de um aumento estimado acima do previsto pela economia como um todo o consumo brasileiro ainda é considerado reduzido se comparado ao de outros países. Na Itália, por exemplo, a média per capita soma 28 kg/ano. Na vizinha Venezuela chega a 12 kg/ano e nos EUA, a 10 kg/ano. Cada brasileiro consome 6,1 kg/ano do produto. "A expectativa é que as vendas anuais saltem para 7,5 kg por pessoa, em quatro anos", estima Aluízio QUintanilha, presidente da Abima.

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